Não sei quando nem porque comecei a escrever sobre insegurança, mas se eu fosse a Ludimila de 13, 15 ou 17 anos, eu gostaria de ter lido algo desse tipo. Eu até cheguei a ler, mas eu ainda tinha medo. Medo? Nem sei se essa é a palavra certa. 


Digamos que eu sempre fui a menina zoada pelos coleguinhas por usar óculos, ter "cabelo duro", ser gordinha - e depois magra demais. Eu encontrei nesse uniforme uma forma de me esconder do mundo e me misturar, como se fosse uma armadura. Armadura qual eu só comecei a me livrar no ano passado quando assumi os cachos e usei batom vermelho pela primeira vez. Então... eu usei batom vermelho. Foi um processo gradual e natural. Eu nem usava batom. Na verdade, até hoje não sou fã de maquiagem. Raramente você me verá cheia de pós no rosto, principalmente se eu sair de casa antes das 10. Mas eu usei batom e foi muito bom. 

Usar roupas largas, jeans e tênis para mim, é roupa de guerra. Aquela que posso usar a qualquer hora e em qualquer lugar. Mas depois de conhecer algumas pessoas maravilhosas eu comecei a me arriscar e a brincar de ser "menininha" e eu gostei. Mas a insegurança não desaparece do dia para a noite, muito menos em alguns meses. Demora, é um processo as vezes difícil, mas no final vale a pena porque você encontra sua essência e descobre quem você é de verdade.

Eu vou continuar usando tênis, jeans e camiseta, mas agora é porque eu gosto, não por ser uma armadura. E eu vou continuar alisando e enrolando o cabelo, simplesmente porque eu gosto de mudar.  E eu vou continuar usando batom vermelho, mas as vezes apenas o protetor solar. Porque eu quero. É o meu querer usar ou não usar, ter ou não ter, fazer ou não fazer que importa no final. Eu dou a última palavra porque eu tenho esse poder e quero. Porque a vida é minha e apenas minha, os outros são personagens secundários, coadjuvantes, convidados e espectadores. O primeiro passo foi aquele corte de cabelo no dia 12 de julho de 2014. Hoje, o céu é o limite.


sábado, 30 de julho de 2011Estou cansada de todos quererem mandar na minha vida. Eu tenho total direito de fazer minhas próprias escolhas e de seguir meu próprio caminho. Viver ao meu modo. Não é um crime, sou eu, apenas eu querendo ser quem sou, não quem as pessoas querem que eu seja. Sou eu querendo ser feliz, ser feliz do meu jeito, para no futuro olhar para trás e dizer: "eu fui feliz!". [...] Quero escrever uma história exclusivamente minha, onde eu comando as cartas e os outros são apenas personagens secundários. Agora, confiarei mais em mim e me amarei mais. [...] Não sou e não pretendo ser a menina que todos querem que eu seja. Talvez esse seja um lado meu que poucos conhecem. Aquela que fala tudo o que pensa, sem medo de ser julgada. Acontece que estou crescendo cada vez mais a cada dia que se passa. Eu já estou vendo o mundo de uma forma diferente. Novas ideias, novos pensamentos. Eu completei 17 anos. Daqui 10 anos eu quero ter orgulho ao olhar para trás. Dizem que ser feliz é o que realmente importa, então é essa minha escolha. [...] Não há nada mais importante agora para mim do que ser quem sou, não há nada de errado nisso. A felicidade está pedindo para entrar e decidi abrir a porta. É um novo dia, um novo momento e estou bem. Decidi sentir, tudo o que não senti antes. Decidi ser feliz, do meu jeito.

Tá aí a prova de nada acontece do nada. Eu tinha 17 anos quando escrevi o texto acima. Quase quatro anos se passaram e o grande passo foi dado ano passado. Mas dá para perceber que estou dando passinhos de formiga há anos. Ah, se vocês pudessem ler o Desabafos e Lamentações. Pode se dizer que o primeiro passo, o oficial, o que mudou minha vida totalmente, foi criar o DL em 2010, porque, sinceramente? Parar de escrever em 2012 foi a pior escolha que eu já fiz na minha vida. As mudanças devem acontecer de dentro para fora e foi isso que aconteceu comigo, e se você passa por algo parecido, saiba que eu estou com você e eu te entendo. Não tente pular etapas. 5 anos é um período curto de tempo perto de uma vida inteira.


Uma palavrinha sobre feminismo e ser você mesma:

2 Comentários

  1. É engraçado: tempos atrás eu não conseguia sair de casa sem passar um rímel ((((mesmo isso sendo super básico, nada que mudasse minha aparência pra UAL)))) e quando eu me "libertei" disso, fui meio que questionada por não usar maquiagem. Então aparentemente me livro desse tipo de escravidão e me sinto bem com minha cara lavada, que então passo a considerar UAL, mas alguém me faz sentir estranha por eu ter alcançado esse nível de desprendimento com aparência??????? Tô fazendo um curso de moda então isso ter acontecido nessa hora foi bizarro. Eu amo moda, e acredito que o que ela significa seja muito relativo e particular, e sermos do jeitinho que somos e nos expressarmos da maneira que achamos show, sem ter que ser alguma coisa já que estereótipos são infinitos. A verdade é que se ninguém falasse nada a gente nem ia se preocupar. Ser "magra demais" não é um problema pra mim, já que tenho saúde, mas é um problema pras pessoas. E pra não se importar com isso leva tempo, requer treino. ^^ Reler o que foi escrito faz tempo aquece meu coração, porque a gente percebe a mudança - tão necessárias, e na sua hora! Vou ler os posts que você indicou, BEIJOS LUDI!!!!!

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    1. "A verdade é que se ninguém falasse nada a gente nem ia se preocupar."

      Ainda sonho com um mundo onde cada um cuida da sua própria vida sem se meter na dos outros.

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