Ao ler livros como Harry Potter ou As Crônicas de Nárnia me pergunto de onde os autores tiraram tanta inspiração. "Escreva sobre o que você conhece." dizem. Também dizem que a escrita é 10% inspiração e 90% transpiração, principalmente se estiver calor e você estiver em uma poltrona de couro. Brincadeiras à parte, acho que entendi o que querem dizer com isso: exercite seu cérebro, faça-o transpirar criatividade e escreva! O máximo que conseguir. Depois você revisa.

Eu amo escrever, acho que desde sempre. Minhas aulas favoritas na escola eram português, literatura, inglês, artes, história e um pouquinho de geografia. Sempre que as professoras passavam redação, eu ficava super animada para fazer. Lembro inclusive de uma aula no fundamental em que a professora pediu que escrevêssemos não lembro se era uma frase ou texto de no máximo algumas linhas, e ela leu minha frase para turma. Ok que era apenas uma frase, mas fiquei orgulhosa. Desde então, amo me expressar através de linhas. Daí me veio essa pergunta: de onde vem tanta inspiração? É um daqueles memes "senta aqui, vamos conversar". Talvez esse talento todo passe pra mim por osmose. Então, decidi fazer algumas pesquisas para saber mais dos autores. J.K. Rowling, Philip Pullman, J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis em especial, que escreveram histórias que eu amo. O que esses autores tem em comum? Fantasia. Meu gênero favorito.

J.K. Rowling 
Vestir-se de bruxos e bruxas, poções de brincadeira e contar histórias eram somente algumas das brincadeiras que Rowling fazia quando criança com Ian Potter e sua irmã mais nova, Vikki. O Sr. Potter admitiu que era um garoto travesso que adorava pregar peças. “As garotas, incluindo Joanne, costumavam se vestir de bruxas o tempo todo,” disse o Sr. Potter, 35 anos, um encanador, que vive em Yate, perto de Bristol. “E os garotos, obviamente, seriam bruxos. Eu fazia truques, especialmente na minha juventude. Eu costumava fazer minha irmã e Joanne irem lá dentro por mim para perguntar aos meus pais se eu poderia ficar lá fora até um pouco mais tarde.” Danielle Demetriou, “Harry Potter e a fonte de inspiração,” The Daily Telegraph (Londres), 1º de Julho de 2000 

É impossí­vel falar com Rowling sobre a sua infância sem falar também sobre Harry Potter e a sua vida na Escola Hogwarts de Feitiçaria e Magia. Parte disto é porque ela esquadrinhou partes do seu passado e deu a Harry e seus amigos, Hermione e Ron. Ann Treneman, “JK Rowling, A Entrevista”, The Times (UK), 30 de junho de 2000.


Philip Pullman
Tudo começou nos últimos 15 minutos de uma tarde úmida de uma sexta-feira em uma classe em Oxford. Sua inspiração veio de uma ida a uma loja na Covent Garden. "Eu queria fantasias, eu queria cores e espetáculo. Minha busca por todo esse material de teatro, todas essas coisinhas adoráveis que você pode obter do Pollocks [no contexto, museu]. Eu os descobri já adulto e me apaixonei por eles." Algumas de suas peças de escola se tornaram livros: "Clockwork", "Count Karlstein" e "The Firework-Maker's Daughter". Nos livros Pullman dramatiza essa mudança da inocência para a experiência através dos dimons. Todos tem um dimon ou espírito animal: quando você é jovem, o dimon muda de forma livremente, quando você se torna adulto, seu dimon fica em uma forma constante. Pullman teve a ideia através das pinturas de Leonardo da Vinci ("The Lady with the Ermine"), Holbein ("The Lady and the Squirrel") e Tiepolo ("Young Woman with a Macaw"), onde parece haver uma ligação psicológica entre a pessoa e a criatura. "Eu estava pensando sobre a questão principal, que era a inocência e a experiência, e a transição que acontece na adolescência, por um longo tempo. Eu ensinei crianças da mesma idade de Lyra, crianças que estavam passando por essa mudança física, intelectual e emocional em suas vidas. A grande mudança pela qual vamos passar de verdade." From INTELLIGENT LIFE magazine, December 2007

Eu traduzi essa parte da entrevista, então qualquer erro por favor me avise. Leia o original aqui

J. R. R. Tolkien
Tudo começou com idiomas. Fiquei internado durante a Primeira Guerra Mundial [ou, dada a sua idade, possivelmente a “Grande Guerra” JH] e passei o meu tempo lendo o Kalevala. E então eu tive a idaia de tentar fazer tudo, veja você, escrever o meu próprio conto de fadas. Mas teria uma atmosfera diferente,um sentimento completamente diferente daquele fornecido pelos nomes finlandeses. Com a ajuda de uma língua que eu mesmo fiz, eu inventei novos nomes individuais. Escrever contos de fadas e inventar linguagens foram dois passatempos favoritos da minha infância. Os nomes me deram ideias e visões. E tenho continuado desde então. É assim que eu trabalho“ Lars Gustafsson, "Den besynnerlige Professor Tolkien", 1961
C. S. Lewis 
“Tudo começou com uma imagem de um fauno carregando um guarda-chuva e pacotes em um bosque nevado. A imagem surgiu em minha mente desde que eu tinha uns 16 anos. Então um dia, quando eu tinha uns 40, eu disse para mim mesmo: ‘Vamos tentar fazer uma história sobre isso”. A série As Crônicas de Nárnia, com seus sete livros, foi escrita entre 1948 e 1954, quando C. S. Lewis já tinha mais de 50 anos. Porém, animais falantes, faunos e feiticeiras já caminhavam pela mente de C. S. Lewis desde a sua juventude.
Os livros prediletos de sua infância, que influenciaram bastante em seus escritos de ficção, foram os animais falantes de Beatrix Potter (Peter Rabbit) e E. Nesbit (A história dos caçadores de tesouro); a rainha má de Hans Christian Anderson (A Pequena Sereia); e as criaturas magníficas das mitologias grega e nórdica. Depois de adulto, Lewis uniu esses modelos literários à elementos da literatura bíblico-cristã, que lhe deram características próprias na sua forma de escrever. Trecho do Livro "Manual da Viagem do Peregrino da Alvorada"

Se não bastasse a pesquisa para chegar até aqui, entrei em contato com a escritora brasileira Renata Ventura, autora de A Arma Escarlate e A Comissão Chapeleira, e perguntei qual é sua inspiração na hora de escrever, e ela resumiu em poucas palavras o que eu mesma já vinha pensando comigo: 
Eu tiro minha inspiração de tudo que eu leio e assisto! Tudo me dá ideias.


E você, escreve? De onde vem sua inspiração?

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