Eu nunca vou esquecer a música que estava tocando quando eu virei a noite pela primeira vez. 

Okay, tocaram várias músicas, mas teve uma em especial que marcou aquela noite. I Love Rock 'n Roll. Eu nunca fui de sair, eu ainda não sou de sair. Troco facilmente uma noite na 185 por uma lendo um livro/assistindo um filme/atualizando uma série, mas essa noite em especial que eu decidi levantar da cadeira pra variar um pouco foi marcada por uma pessoa inconveniente na fila, muita chuva, muita bebida alheia na minha calça e essa história pra contar. 

Tudo começou em fevereiro de 2013. Antes de tudo vamos voltar no tempo para algumas semanas antes da festa. Eu, sem nunca ter ido em uma boate na minha vida, entrei naquele dilema do "com que roupa eu vou". Eu queria que a noite fosse perfeita. Rodei o cetro da cidade atrás de uma roupa condizente com o que eu queria, com direito a look completo e só vi a ansiedade crescer conforme os dias iam passando. E então ela chegou.


A sensação que eu tive é que aquela noite marcou a divisa entre minha adolescência e minha "vida adulta". Calma, vamos seguir minha linha de raciocínio. Foi algo do tipo "estou saindo sozinha, sou gente grande!". Eu tinha de 18 para 19 anos. No início da noite, já toda molhada da chuva que tomamos na fila eu me senti completamente deslocada, como se eu não pertencesse aquele lugar. Me sentia presa, como se eu não devesse estar ali. Eu olhava em volta, via as pessoas se divertindo e me sentia sufocada. A 185 não é lá o espaço mais confortável da cidade. Foi aí que o DJ tocou a música certa na hora certa. 

Pra quem já estava molhada da cabeça aos pés o que era mais um pouquinho de liquido desconhecido escorrendo pelas calças né? Só sei que todo mundo começou a pular e cantar e eu entrei na onda. (E pra quem tem 1,62 de altura não sai de lá muito apresentável depois de uma quantidade considerável de gente pulando com copos de bebidas nas mãos e os braços levantados). Melhor noite. Melhor noite porque eu descobri a 185. Melhor noite porque mesmo querendo jogar minha calça fora no dia seguinte, mesmo tendo odiado experimentar caipirinha (ou caipivodka, eu não faço ideia do que era aquilo), mesmo tendo tomado chuva, mesmo aturando o inconveniente que nunca mais encontrei na minha vida, eu me diverti. Foi a melhor noite porque ela foi a primeira e primeiras vezes são sempre as mais especiais.


Com essa noite e várias outras noites eu percebi que as vezes, mesmo que a gente não queira, vale a pena levantar da cadeira e ir viver para variar. Numa dessas noites vivi um dos momentos mais marcantes da minha vida, fui puxada aleatoriamente pelo meu amigo para o fumódromo (eu não fumo) e conheci um pessoa incrível, reencontrei pessoas que estudaram comigo e o mais importante de tudo: que não importa quem você é, numa noite escura e lotada, todos somos um, principalmente na 185.

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