Um livro sobre... livros? Leitores? Palavras? A tinta usada na hora de escrever? Um livro sobre ler, talvez. Para cima e não para norte nos conta a história do Homem Plano, que aparentemente vive dentro de um livro, ou de todos os livros do mundo. Ou de todos os papéis escritos do mundo. Uma história com várias interpretações e totalmente interativa, é como se o Homem Plano falasse com o leitor corrente. Ele nos conta sua história na íntegra e eu me senti sugada pelo livro. Cada leitor tirará uma conclusão do livro apesar da história ser uma só e ser contada de uma forma só. E se você for tocado, nunca mais lerá nada da mesma forma. Antes, você era apenas o observador, agora você se sente observado. Foi assim que eu me senti lendo Para cima e não para norte.

Ou seja, no vosso dia a dia quando me olham aí de cima, como normalmente fazem, veem um triângulo, mas se o vosso olhar pudesse ler ao mesmo nível da folha de papel, poderiam constatar que, nessas condições, o triângulo de baixo é visto como um segmento de reta, e eu não sou mais do que uma linha, eu nem diria bem um linha, diria que sou um pouco mais pequeno que uma linha, por isso têm de imaginar que esse segmento de reta que imaginam ver é mais curto, tão curto, tão curto, que, de facto, ao vosso olhar, eu fico reduzido a um ponto, e, sozinho, não me pareço muito com nada, mas se imaginarem muitos de nós sozinhos...

Eu amei cada pedacinho e detalhe desse livro e a edição condiz muito com a história, que te faz interagir com o Homem Plano. Não fosse o intervalo entre as páginas 173 e 199, ele teria levado as cinco estrelas, e talvez o favorito. Esse livro é vivo, e se você não prestar atenção, acaba sendo levado por ele.

-esse livro é vivo, e se você não prestar atenção, acaba sendo comido por ele (juro que tentei não pensar em HP)-

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