O Aprendiz de Assassino vai contar a história de Fitz, o filho bastardo do Príncipe Herdeiro, que aos seis anos de idade é largado por seu avô materno aos cuidados do castelo. Ele não chega a conhecer o pai, Cavalaria, e fica aos cuidados de Bronco, o responsável pelos animais, até que um dia o rei Sagaz, seu avô, percebendo que o garoto pode ser uma ameaça para a coroa no futuro, decide trazê-lo para seu lado e torná-lo um homem do rei. Com isso Fitz é introduzido às boas maneiras, luta, e tudo mais que os de bom nascimento têm direito dentro da torre, mas além disso, ele também é transformado no assassino do rei, aprendendo a matar das mais diversas formas.

Começamos o livro com um Fitz ainda criança e vamos acompanhar seu crescimento durante a história que é narrada em primeira pessoa por ele mesmo, porém em forma de lembrança. Dá-se a entender que ele já é bem mais velho quando está contando essa história. Grande parte se passa em Torre do Cervo e na Cidade de Torre do Cervo, e no momento estamos passando por um mal momento onde salteadores estão atacando as regiões, sequestrando e Forjando habitantes. Torre do Cervo é a cidade principal dos Seis Ducados e é onde mora a realeza. Durante a história acompanhamos três faces do Fitz: o bastardo, o Novato e o assassino. Eventualmente ele desce para a cidade e lá faz alguns amigos que não sabem absolutamente nada sobre sua vida, que é onde eu acho que ele mais consegue ser ele mesmo, por mais que ele não possa contar detalhes de sua vida na Torre. E sua vida de assassino é conhecida aparentemente apenas pelo rei, seus dois filhos e seu professor, Breu, que para mim é um dos personagens mais legais do livro.

Durante a narrativa todos os personagens têm alguma razão e nenhum de seus diálogos é vazio. E todos são muito bem criados, você se importa com todos eles. Muita gente pode não gostar e achar cansativo, mas o livro é muito descritivo, uma coisa que eu gostei, pois as descrições me jogavam para dentro da história. A autora descreve de lugares à pessoas de forma que você consegue imaginá-los perfeitamente. E uma das coisas que eu mais gostei foi a forma como ela conseguiu narrar tão bem coisas tão triviais como o tempo.

Assisti ao nascer do sol através das árvores e tirei cochilos irregulares a manhã toda. A tarde me trouxe uma espécie de paz desgastada. Eu me distraí sondando ao redor a vida selvagem do monte. Ratos e pássaros eram pouco mais do que brilhantes faíscas de fome na minha mente, e os coelhos pouco mais do que isso, mas havia uma raposa no cio à procura de companheiro e, mais longe, um cervo batia a pele aveludada nos seus cornos com tanto propósito quanto um ferreiro na bigorna.

A magia nesse livro não foi explicada nem muito abordada a ponto de ser apresentada ao leitor formalmente, mas foi suficiente e espero que ela seja explorada no próximo. Aqui temos duas formas de magia: a Manha e o Talento. Bem parecidas entre si, a Manha é o poder de se comunicar mentalmente com os animais e o Talento é o poder de se comunicar, e não só comunicar, mas também influenciar, mentalmente as pessoas. A Manha não é bem vista, visto que para eles é como se você se transformasse em um animal ao ficar muito tempo em conexão com o mesmo, e o Talento é ensinado apenas a realeza, como se passasse de geração para geração. Fitz nasceu com o dom da Manha, mas Bronco o proíbe de usa-la, e mais para frente o Rei pede que Fitz seja introduzido no Talento.

Um ponto interessante a ser comentado, todos os personagens do livro têm nomes que direcionam a sua personalidade ou qualidade mais forte, ou simplesmente resume quem é aquela pessoa. Temos o rei Sagaz, seus filhos Cavalaria, Veracidade e Majestoso, a esposa de Cavalaria, Paciência, o professor de Fitz que o ensina a matar, Breu. Se você parar para analisar, consegue perceber porque tal personagem tem tal nome. Por exemplo Fitz, o bastardo, que segundo a nota do tradutor foi o único que manteve o original por não ter correspondente em português, nesse caso, valeu a pena traduzir os nomes próprios.

Cada capítulo começa com uma lenda daquele mundo e nos mostra um pouco de sua história, como se fosse um lugar real, vivo, com todos os seus mitos e tradições. Eu gostei bastante desse livro e estou doida para ler a continuação. 

ps.: o livro tem mapa.

2 Comentários

  1. Estou muito curiosa pra ler esse livro! Está na minha lista de leituras há algum tempo, mas ainda não fiz nada sobre isso, haha. Até coloquei os três primeiros livros no Kobo, pra facilitar, mas na minha cabeça certos tipos de livros precisam ser comprados para serem lidos, especialmente aqueles que têm mapa! Acho que a semelhança das capas dessa saga com As Crônicas de Gelo e Fogo também foi ponto crucial para me deixar curiosa, espero gostar tanto daquele como gosto desse. Ótima resenha, Ludimila! =**

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    1. Não fosse a Amazon me "pedindo" pra testar o aplicativo do Kindle, eu nem teria conhecido esse livro, hahaha, (e eu confundi com Robin Hood por causa do nome da autora). Espero que você goste ^-^

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