Ultimamente não ando conseguindo escrever. Sobre nada. Eu sempre tenho aquela história que penso que seria boa de contar, mas quando olho para a folha em branco, eu não consigo encontrar as palavras, e no geral quando consigo, aquela história se transformou em um parágrafo que, ou eu acho chata demais para continuar, ou simplesmente paro por ali mesmo. E isso é horrível. 

Quando eu tive um diário em 2009, eu tinha o hábito de escrever todos os dias. Era um diário mesmo, com direito a cadeado e tudo, e aí as folhas acabaram e eu descobri os blogs um ano depois, e criei um diário, e não sei se eu fiquei mais chata ou mais crítica com o passar dos anos. Provavelmente os dois. Ou eu estou obcecada pelo exercício da escrita e esqueci que fazia isso por prazer, daí perdi a essência. Desde que eu voltei pra esse mundo escrever ficou com cara de obrigação. E isso tá errado, muito errado. Eu amo escrever desde que aprendi a escrever, eu tenho dó de jogar meus cadernos fora e me arrependo de ter me desfeito do diário de 2009, mas escrever hoje não está tão prazeroso quanto quatro anos atrás, e isso não faz sentido pois essa não sou eu. Em 2013 eu li mais do que escrevi, em 2014 eu escrevi mais do que li e esse ano não faço ideia do que é que estou fazendo. Eu voltei porque senti falta, mas agora não faz sentido pois sempre parece que está faltando alguma coisa. Está me faltando. E é um negócio bizarro já que toda a pressão vem de mim mesma. Gente? Eu não faço sentido. 

Toda vez que pego o DL1 para reler minha consciência grita "essa é você, o que raios aconteceu com essa garota?", e não aconteceu nada. Não vou falar que ela cresceu, pffff isso é ridículo, certas coisas nunca mudam, e isso não deveria mudar. Eu sempre escrevi para fugir, esconder e pertencer, e pode ser que hoje eu já saiba lidar melhor com a vida (risos), não preciso mais fugir (sempre), mas ficar sem escrever é horrível e eu provei desse veneno em 2012. Foi a pior decisão da minha vida. 

O que houve com a aquela menina que tinha gana por escrever e contar histórias? O que aconteceu com aquela menina que em 2010 decidiu criar um blog e ser feliz? Que crise é essa? São tantas dúvidas. E sempre que efetivamente escrevo mais que um parágrafo, normalmente envolvem dúvidas e perguntas sem resposta e essa fase esquisita. Eu já estou assim há meses, quiçá desde que criei o Astigmatismus/DL (posso confessar que sinto falta desse nome? que sinto falta de todos os nomes que já usei? que de vez em quando da vontade de mudar o nome porque meu deus, "Diga, Ludimila", eu poderia ter pensado em nome melhor). Eu não me sinto em casa na minha própria casa, e isso tá errado, muito errado, não faz sentido e não sei se esse texto fez. 

E  toda vez que eu acho que terminei por aqui, vem mais na minha cabeça (hue). Parte de mim quer dar tempo ao tempo, parte de mim está ignorando tudo isso, a outra parte está surtando e querendo estar morta, e a maior parte sente muita saudade de escrever de verdade. Eu salvo um monte de prompts achando que eles vão me ajudar, não necessariamente com pautas, mas com... tudo. Eu quero escrever um texto sobre o quanto amo Converse All Star, eu quero escrever um texto sobre meu amor por sapatos vermelhos, eu quero escrever sobre o passarinho que entrou voando pela janela do meu quarto e ficou ali por três segundos, mas eu não consigo. Não é que eu não consigo, eu posso sentar e escrever, mas ou a) vou achar que está uma bosta e deletar; ou b) não vou passar do primeiro parágrafo, vou achar que está uma bosta e deletar. E vou terminar fazendo algum meme perdido pelas internets e assim a vida toca, porque é sempre mais fácil fazer uma lista sem pé nem cabeça do que escrever um texto de mais de 500 palavras.

Afinal, eu consegui escrever sobre alguma coisa.


Deixe um comentário