"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda." - 12 de junho de 1942.

Eu não tenho palavras para comentar esse livro. Assim que terminei, já comecei a ler novamente, e me arrependo de não ter feito anotações e marcações, mas eu queria assim, para poder reler de forma diferente. Não que eu não tenha lido profundamente, mas eu queria um primeiro contato sem me preocupar com as passagens, eu só queria ler de cabo a rabo, para depois reler e continuar relendo, porque ele se tornou um dos meus livros de cabeceira. Não vou nem me dar ao trabalho de escrever uma sinopse, pois se tratando da Segunda Guerra Mundial, você já tem uma ideia do que Anne escreveu nessas páginas. 

O diário de Anne me fez refletir sobre várias coisas, mas no momento, quando paro para pensar nas últimas 404 páginas, eu só consigo pensar nos arrastões que estão acontecendo no Rio de Janeiro, na guerra civil na Síria e em todos os pequenos delitos que cometo e cometemos do dia-a-dia. Só de pensar que há 70 anos uma adolescente escrevia sobre isso, sobre o horror que era, e ainda é a guerra, as pessoas se machucam o tempo todo, e continuam se machucando, e parece que o mundo não mudou tanto assim. Ainda temos ditadores. Ainda temos a morte de inocentes. Estamos estagnados no tempo e, pelo o que parece, longe de mudar. E a trilha sonora perfeita para esse momento é a música O Lobo, da Pitty.

"Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo o que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez!" - 1944 (perdi a data correta)

Esse foi o único que trecho que nessa primeira leitura eu tive realmente de marcar. Quando as pessoas vão parar de lutar umas com as outras? Quando as guerras vão deixar de existir? Tento ser otimista e pensar que estamos caminhando para a evolução, mas só de ler as notícias, vejo como estamos andando para trás. Durante os dois anos escondida no Anexo Secreto e tendo apenas o diário como válvula de escape, Anne amadureceu muito, e durante toda a leitura eu me esquecia que aquilo tinha acontecido de verdade. Toda vez que pausava a leitura vinha aquele click seguido da bad (não tem definição melhor para o que eu senti lendo o diário), e minha fé na humanidade ia se esvaindo cada vez mais. Anne foi uma adolescente com medos, dúvidas e descobertas, e não sei onde ouvi isso, acho que foi em Minha querida Anne Frank, enquanto o diário continuar vivo, Anne continuará viva.

Ler o diário de Anne é válido não apenas para os entusiastas de história, mas para qualquer um que queira ler uma nova perspectiva sobre tudo. Anne aborda muitos assuntos nesses dois anos de cativeiro, e sim, cativeiro porque eles não eram livres, por mais que não estivessem literalmente presos. Reflexões sobre a guerra, rompantes feministas, literatura, amor e tudo que pode sair de uma menina entre seus 13 e 15 anos. Anne adorava estudar e aprender sobre tudo, queria ser jornalista e depois, escritora. Eu já indiquei o livro Contos do Esconderijo aqui, e vale a pena ler a ficção de Anne, inclusive ela comenta um de seus contos no diário, A Vida de Cady

Anne me inspirou a mudar e buscar sempre ter nem que seja uma pontinha de esperança na humanidade e em mim mesma. Enfim, como eu disse, já estou relendo o livro e quero fazer um diário de leitura dessa vez, quero fazer comentários e responder às "cartas" de Anne. Entrou para os favoritos da vida.

« skoob »

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