— Socorro!

— Ela não percebe que estamos sufocando aqui dentro? Ingrata! A levei nas mais incríveis aventuras e agora estou largado aqui embaixo, nesse poço sem esperança. Sortudos são os que foram emprestados!

— Ah, mas você viu como o Treze voltou? Com o rosto todo desconfigurado! E talvez os outros nem voltem.

— Será?

— Não duvido nada, ela não vai atrás, vai acabar comprando outros e nem vai reler.

— Duvido, ela gosta muito do Um. Fez até marcação. Coisa que não fez em mim, aposto que ela vai se desfazer de mim mais cedo ou mais tarde!

— Aí, parem de reclamar aí em baixo! Pelo menos vocês não pegam pó! De que adianta ela nos colocar num pedestal se não tira a poeira, não folheia a gente, e adivinha só, resolveu me reler NO CELULAR!

— Pelo menos você foi lido, eu fiquei na berlinda e quase fui trocada!

— Pelo menos vocês tem ar aí em cima!

— Por que é que ela não compra uma estante logo de uma vez? Éramos bem mais felizes naquela época.

— Por que ela não me lê logo de uma vez?

se meus livros falassem a conversa seria mais ou menos assim. inspirado no segundo dia desse projeto aqui, e também no olhar de julgamento e reprovação que recebo dos meu livros todos os dias. claramente preciso de uma estante, e de um psiquiatra. 

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