"Você não pode projetar sua vida como um prédio. Não funciona desta forma. Você precisa viver e ela se projetará por conta própria. Ouça o que o mundo está lhe dizendo para fazer e dê o salto." - Lily Aldrin

Certo, posso estar sendo precipitada por estar no começo da quinta temporada, mas: eu amo HIMYM. Eu amo como essa série consegue ser real mesmo sendo fictícia, eu amo como consigo me identificar com os personagens e eu amo a forma como ela me faz pensar. Pensar em tudo. Pensar na vida, a vida em geral, nas escolhas, e em como lidar (ou não) com essa loucura que é a vida adulta. Eu já refleti sobre amor, carreira e os 20 e poucos anos. E começar essa série foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim nos últimos meses. Eu amo a forma como ela me faz sentir. Somos todos Ted Mosby. E um pouco de todos os outros personagens. Estou levando os conselhos dessa série para a minha vida, e é como se a série fosse programada para acompanhar minha vida. E me fazer viver a vida. Se a minha vida fosse uma sitcom, ela seria cancelada na primeira temporada pois eu não tenho boas histórias para contar. Nem histórias ruins, nem histórias de nada, simplesmente porque minha rotina não poderia ser mais que uma rotina, nada de diferente acontece, nunca, nada sai dos trilhos, nenhuma reviravolta, nada. Eu não tenho experiências, eu não tenho passado, mal tenho o presente. Não tenho nada de novo para contar. Aquele dia em que derrubei a PA? Foi incrível! Mas? E aí? É isso? Não tenho nada além de momentos, e eu sei que momentos são importantes, mas eu não me sinto vivendo minha vida.

Mas aí teve aquele dia, dia 19 de setembro, eu me senti infinita, eu me senti infinita enquanto pulava Dog Days Are Over e eu me sentia infinita enquanto virara uma vodka com frutas e eu me senti infinita mesmo não sentindo minhas pernas e eu me senti infinita com aquele cara e ter chamado ele para conversar me fez sentir infinita, mesmo que eu não quisesse e mesmo que ele também não. Aquela noite foi infinita e os momentos continuam ecoando na minha mente. Naquela noite eu vivi pela primeira vez. Naquela noite eu dancei Fancy enquanto usava aquele banheiro nojento. Eu falei que meu nome era Camila. Oi? Naquela noite eu fui infinita, eu fui infinitamente feliz, eu me diverti plenamente e comi cachorro-quente por seis reais, que roubo! E eu poderia falar que eu quero voltar para aquela noite, mas não, eu não faria nada diferente, nem me perder momentaneamente dos meus amigos. Até isso foi infinito! Fiquei infinitamente assustada. Naquela noite em que voltamos para casa em um táxi onde o taxista achou que estávamos os três bêbados, e talvez estávamos mesmo. Naquela noite em que ao chegar em casa tinha mais festa pela frente, uma ressaca, dias de tosse seca e uma quase pneumonia por dormir com a janela aberta e o ventilador ligado, até isso foi infinito. E então a vida voltou aos eixos e voltou a ser... chata? Eu sei que a vida não é uma festa, mas festas assim fazem a vida ser o que ela é: uma caixinha de surpresas. Eu não esperava por metade do que vivi naquela noite, mas eu vivi, e sinto falta de viver mais vezes. Se arriscar é ótimo! E eu preciso provar dessa dose mais vezes, afinal, é isso que importa: a vida real. Podemos inventar ou recriar quantas histórias quisermos, mas o que vai sobreviver no final, é a vida. Não importa se ela foi incrível ou incrivelmente chata. Na verdade, porque as coisas tem que ser sempre magníficas? O simples também importa e sem ele não existiria o incrível. Querer que tudo sempre seja incrível é dar tiro no próprio pé porque a vida não funciona desse jeito. A vida é uma obra de ficção sem roteirista. Coisas ruins vão acontecer assim como as boas, e ambas vão chegar ao fim, mas elas vão continuar acontecendo pois não temos controle sobre elas. Assim como não temos controle sobre o vento, ou o tempo. Ou o resto. Tudo o que podemos fazer é viver esses momentos plenamente e tentar tirar o melhor de tudo isso, porque é o que importa no final. Há momentos em que eu perco as esperanças e quero desistir, mas eu não posso. O que posso é fazer uma pausa, mas continuar porque não dá para ficar parado. Isso parece papo de auto-ajuda, mas é a verdade. Os momentos ruins existem e vão continuar existindo, basta que saibamos tentar lidar com eles. E mesmo esses momentos nos dão história para contar e uma perspectiva de que as coisas podem melhorar, ou piorar, mas elas vão acontecer, pois são as consequências. Não espere que grandes coisas aconteçam para que possa gravar sua história, porque até os pequenos acontecimentos importam e merecem ser compartilhados.

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