Esse texto começou em uma busca por mulheres que marcaram a história com a fotografia de alguma forma, mas acabei ganhando muito mais.

Margaret Bourke-White é considerada a pioneira em muitos momentos importantes da fotografia. Ela foi a primeira repórter fotográfica da revista Fortune e a primeira mulher a quem foi dada permissão para fotografar em território soviético, na década de 1930, e também foi concebido estar no front de batalha da segunda guerra mundial, onde retratou os campos de extermínio nazistas, além de fotografar os anos da grande depressão nos Estados Unidos. Formou-se em 1927 e um ano depois começou um estúdio de fotografia comercial e concentrou-se na fotografia de arquitetura e industrial. Nesse ramo um de seus clientes foi a Otis Steel Company, e acredite ou não, eles não queriam que ela fotografasse pois ela era uma mulher e será que as mulheres e suas delicadas câmeras poderiam enfrentar o intenso calor, perigo, e as condições geralmente sujas e areosas dentro da fábrica? Como é que é?

-simba me representa-

Poderia muito bem deixar esse comentário passar batido, afinal, é história, certo? Errado. Infelizmente esse tipo de situação acontece até hoje. Tudo o que eu esperava trazer hoje, como eu falei lá em cima, era um pouco de inspiração de fotógrafas mulheres na história, mas aí eu comecei a ler um pouco da vida de Margaret e isso apareceu na minha frente. Foi como dizer "ah, você é mulher, tudo bem brincar de ser fotógrafa, mas não quero você fotografando a minha fábrica porque afinal de contas seu equipamento é mais frágil que os equipamentos dos homens, e claro, você é mulher", afinal, os equipamentos mudam quando você muda de sexo, coitadinha da sua câmera, tão frágil. Estamos falando de meados de 1930 mas é curioso ver como nada mudou nos últimos 85 anos. Você, mulher, vai lá fotografar os recém-nascidos, mas fotojornalismo, ah não, isso é pros homens, afinal uma mulher não aguentaria a pressão das ruas.

Dói ver que esse ainda é uma tema recente mesmo depois de tantos anos. Ver que para alguns, fotografia não é para mulheres, ainda ter de lutar por um cantinho ao sol na área que bem entender.  E quem me dera isso acontecesse apenas na fotografia. As mulheres estão em uma luta constante que parece nunca ter fim (às vezes eu acho que só começando o mundo do zero pra dar certo, mas sejamos otimistas). Para saber mais sobre a Margaret, a página dela na Wikipédia em inglês é até bem completa, e com alguns cliques você encontra alguns trabalhos que ela fez na segunda guerra mundial.

Para ler e refletir:
Fotografia não é para mulheres

2 Comentários

  1. Concordo com você, aliás, é só observar como ainda tem menos mulheres em cursos que são considerados "para homens", quer dizer, em pleno século XXI e tem muita gente que ainda acha que tem coisa que mulher não pode fazer só por ser mulher! Eu mesma, em todos os cursos que fiz - informática, audiovisual, 3D, games - sempre haviam mais homens do que mulheres. Algumas vezes, um número drasticamente maior!
    E ainda tem gente que diz que é tudo mimimi e que as mulheres são privilegiadas -_-

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    1. SIM! Eu comentei sobre isso enquanto lia Anne Frank também e parece que o mundo está retrocedendo, mais de 80 anos se passaram e o pessoal continua com os mesmos pensamentos, bora evoluir galera que assim fica difícil. Pleno 2015 e "ah não, isso é coisa de homem", me poupe.

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