Nada mais anda fazendo sentido quando olho para o meu guarda-roupa. Me sinto presa na adolescência que achei que, comprando umas saias, sairia rodando dela, mas não, continuo presa ao mundo dos 15 anos e estou sentindo uma vontade absurdamente grande de mudar. Soa familiar? Já escrevi sobre isso em 2012, e essa vontade voltou. 

Antes, sempre foi uma coisa capilar, mudava o cabelo e bum, pronto, nova eu. Agora é diferente. Não me reconheço nas minhas próprias roupas. e não falo de consumo, mas falo de me sentir bem. Quando olho para meu pequeno conjunto de roupas parece coisa de outro mundo. Poucas peças se salvam no meio dessa bagunça. Dia desses eu resolvi catalogar minhas roupas pra ver qual era a do meu armário e descobri que tenho um total de duas calças jeans, o que já começou errado já que é uma das minhas peças principais, já que uso as calças para trabalhar, nove blusas aleatórias, duas blusas cropped que são as que eu mais uso, seis regatas normais, uma de academia e um total de quinze - isso mesmo, quinze, sem contar o uniforme - camisetas, sendo que dessas quinze eu uso só umas quatro. E aí eu percebi que tinha alguma coisa errada. 

Talvez há dois ou cinco anos, esse fosse o modelo perfeito de guarda-roupa pra mim, mas hoje, não faz sentido. Eu não tenho vontade de pensar antes de me arrumar, sempre pego as mesmas peças, sendo que tenho toda essa variedade, o problema é que essa não é a minha variedade. De tempos em tempos eu doo peças que estão paradas há muito, mas hoje a vontade é de doar tudo e começar do zero. Quem me dera. Aqui e ali vou garimpando (essa palavra é engraçada) roupas novas e me livrando das antigas. Dos antigos sentimentos. Do antigo ano. Parece que 2015 quer levar tudo embora e não faço questão de segurar nada, como dizem, novos ventos só vem quando largamos as velhas âncoras, ou alguma coisa assim. 

Não consigo me lembrar o que foi que mudei lá com meus 18 anos, só sei que mudei. E mudei de novo. E talvez daqui cinco anos eu mude novamente. Acontece que essa versão minha de 2015 expirou e preciso atualizar o software, e se você quer um spoiler, estou tirando meu lado Zooey Deschanel do armário, lado que sempre tive, mas sempre ficou bem escondido por sei lá qual motivo (na verdade, sei sim - escudos, medos).

Certa vez Anne Frank disse que ela se sentia um feixe de contradições e por um (ou vários) momentos me senti da mesma forma. Agora, sábado, às quase duas da manhã, quando eu deveria estar dormindo afinal acordarei às 07:15, me sinto assim. Eu daqui, minhas camisetas de lá. E, bom, esse texto não tem conclusão, afinal, nem comecei nada, foi um reconhecimento de causa que eu precisava colocar pra fora.

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