Já sentiu como se você não fosse você, mesmo sendo aquele você por muito tempo? Já sentiu como se aquele você, não fosse você totalmente? Depois de passar a vida toda usando um "uniforme", aquele meu eu, mesmo sendo eu, não estava mais satisfeito com o que via no espelho. As coisas começaram a mudar de alguns anos pra cá. Eu escrevi sobre isso aqui e volto hoje como uma continuação (conclusão?) do que tirei desses dois meses observando meu guarda-roupa. Várias coisas me incomodavam nele como as estampas que não diziam nada sobre mim, a falta de calças e a falta de rotatividade. Ou como todas as minhas camisetas eram praticamente iguais (o excesso de camisetas). Eu saio tão pouco de casa que não tem COMO repetir as combinações, mas eu repetia mesmo assim (e não é como se eu tivesse muitas roupas).

Sempre tem aquela blusa que eu uso mais por ser uma favorita, mas o que quero dizer é tudo ficava igual, independente da blusa que eu colocava, e continuava parecendo uma adolescente. Não me leve a mal, eu tenho quase 22 anos e quero sim envelhecer bem devagar, mas eu continuava usando as mesmas roupas de quando eu tinha 15, era como se eu não tivesse evoluído nada em seis anos. (Sabe quando a Mother fala pro cara que ela tem 16 anos e ele acredita? Sou eu.) (Será que eu deveria fazer referência à Mother?) (Isso é spoiler?) (Assistam How I Met Your Mother!!!!).

Aqui preciso acrescentar um adendo e dizer que sempre fui apaixonada por coisas fofas estilo Zooey Deschanel e Taylor Swift, mas eu morria de medo de usar por achar que não combinava com o meu estilo, sendo que eu nem tinha um estilo. Meio que aquela coisa meio grunge, rocker por assim dizer, ficou impregnada em mim ao passar dos anos e eu acabava sempre comprando as mesmas coisas. Eu sou isso, mas não só isso.

Eu parei de odiar sapatilhas, agora é o sapato que eu mais uso depois do Converse. Eu adotei laços, rendas, detalhes. Eu parei de olhar a peça em geral e comecei a focar em seus detalhes, seja uma gola diferente, botões delicados, rendas em lugares antes não imaginados. Hoje eu tenho uma sapatilha preta que não seria mais que uma sapatilha preta não fossem os bigodes de gato no lugar de um laço. Eu tenho uma regata que seria só uma regata não fossem as alças de crochê, o laço na cintura e o tecido fluido. Eu tenho uma espadrille que seria só uma espadrille, mas ela é de renda.

Eu ainda tenho um longo caminho pela frente como por exemplo parar de medo de usar saias e vestidos em público, mas aos poucos vou descobrindo um lado meu que, lá no fundo, eu conhecia. Só eu conhecia. Eu demorei a me livrar das amarras do jeans-camiseta-tênis, mas depois foi libertador usar tudo o que me deu vontade. As pessoas vão olhar, algumas vão julgar, mas como dizem (alguém), quem importa é quem não se importa, e eu demorei a perceber isso.

Chega de usar a capa de invisibilidade.

Para ler e se inspirar:

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