Fecha os olhos, respira fundo, sente o cheiro da saudade, relembre as sensações, cai em sono profundo. Espera. Senta. Toma um café. Profundo como o castanho dos seus olhos. Fecha e abre três vezes, pisca rápido tentando não chorar, o óculos embaça como um vidro de carro, mas na verdade são seus olhos, tristes, que nunca enxergaram muito bem. A névoa espessa cobre a bela visão do brilho que esses olhos um dia tiveram, brilho de céu, olhar de céu, nas nuvens. O temporal passageiro virou tempestade, as gotas de chuva engrossaram uma a uma, alagou a alma, ou o contrário. Chorou tanto que ficou vazia e esfriou. E assim ficou. Seca como as folhas de outono.


Abre os olhos, encara a alma que saiu com o choro, recolhe os pedaços, varre as folhas secas pra longe. Pisa e escuta quebrar, estilhaçar. Crocante. Não sangra. Deixa o vento levar o que sobrou da amargura e olha bem quem está a sua frente. Repare pela primeira vez no contorno dos olhos de quem te encara de volta. Num cinza azulado - ou azul acinzentado, como quiser. Teus olhos, castanhos. Que no sol ficam da cor do mel que me derreto quando olho pra você. Faísca. Sai do sol e deixa o castanho dos olhos brilhar. 

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  1. Respostas
    1. *vai pro sol* *fica cega na claridade* *tira mil fotos iguais* *abre o snapchat porque a foto ao contrário fica melhor* hahaha obrigada <3

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