Sou uma pessoa janelinha. Gosto de andar sempre na janela de qualquer coisa que for. E a janela é um lugar engraçado de sentar. Vez ou outra me perco nos pensamentos olhando lá pra fora e quando vejo já estou encarando alguém do lado de lá -- juro que é sem querer. Da janela é como se eu enxergasse o mundo -- todos eles. Meus mundos, o mundo a minha volta e brevemente o mundo das outras pessoas. Cada uma vivendo cada uma de suas coisas, de seus jeitos peculiares. Da janela vejo gente indo e voltando da escola. Vejo semblantes tristes, tímidos, alegres, plenos, distantes. Todos porém desconhecidos. Nunca mais verei nenhum deles. E da janela encaro outras janelas e vitrines, cheias de mistérios. Algumas cheias de solidão. Algumas fechadas a cadeados. Outras envoltas em grades. Outras cobertas por árvores. E outras escancaradas ao mundo. Do lado de fora da janela vejo gente de todas as formas, mas só vejo suas bordas e nunca serei capaz de me aprofundar em nenhum deles.

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