Sei lá quantas cartas já escrevi para você, mas é que 25 parece uma idade importante, sabe? Onde a gente sabe mais ou menos o que é que está acontecendo, então por isso te escrevo. Eu faço 22 anos em dois meses, e cada passo mais perto dos 25 eu tenho flashs de outras cartas que te escrevi, mas o problema é que não faço ideia do que elas dizem. Nem sei se elas vão chegar. Talvez eu tenha realizado muito, talvez eu não tenha realizado nada. Não lembro nem quantos anos eu tinha quando te escrevi pela primeira vez. Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu mudei.

Mas você me conhece, essa sou eu em 99% do tempo:

OU SEJA.

Mesmo que eu tenha mudado muito - muito mesmo - de uns tempos pra cá, eu continuo perdida e sem saber direito o que estou fazendo com a minha vida. Mentiria se dissesse que me sinto assim o tempo todo, até porque não é verdade, mas de vez em quando (uma vez por mês) (de quinze em quinze dias) (uma vez a cada eternidade) (depende muito) ainda tenho esse sentimento de que nada esta acontecendo e eu simplesmente parei e me acomodei no mesmo lugar. Então por que te escrevo? Para saber se você está bem. Cê tá bem? Bem mesmo? Como você se sente hoje? Só volte aqui daqui três anos e me (se) responda. Eu estou bem, bem de verdade.

Quando escrevi para nossa eu do futuro de 31 anos, eu esperava muita coisa dela, mas sinceramente? Não espero mais nada. Só espero que o que é que esteja acontecendo, nós estejamos felizes. Hoje não te escrevo para pedir conselhos, te escrevo para perguntar onde é que você chegou -- onde é que chegamos, nesses 25 anos. E eu sei que não deveria estar pensando nisso, mas não consigo evitar.

Os meses que antecedem o meu (nosso) aniversário me deixam com a mesma sensação dos meses que antecedem a virada do ano: está acabando e o que é que você fez? Está acabando para recomeçar. O ciclo se fecha, eu me fecho, e em agosto começo tudo de novo. Julho é um mês de transição pra mim. Não só julho, mas uns meses antes também. Tudo isso começa em setembro para terminar em janeiro, e depois recomeçar em abril e terminar em agosto. Meus dois anos novos. Julho e dezembro. Que acontecem tão perto um do outro que tenho a sensação que estou em constante renovação, mas confesso que esse sentimento de mudança constante é meio cansativo às vezes.

Enfim, ainda estamos em maio, talvez eu volte antes de julho para falar com você, mas por hoje só te desejo um maravilhoso aniversário e menos crises pra gente.

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