Junho decidiu cortar todo mal pela raiz. Parece que tudo que é negativo, tudo que não me agrega, junho resolveu levar embora, e junto todo o acúmulo de coisas espalhadas pelo meu quarto e pela minha vida. Aquela história de soltar velhas âncoras que já não servem mais para o navio, sair da baía para outras aventuras, virar a página, começar um novo capítulo. E eu sei disso porque é sempre nessas horas que me dá aquela vontade de cortar o cabelo, encaixotar coisas que já não uso mais e libertar cabides para que novos ares possam ser pendurados ali a fim de criar novas memórias. Não minto, ainda sou apegada à muitas coisas, principalmente aos meus livros, mas é preciso abrir espaço para que novas histórias entrem sem que as antigas às influenciem. 

Vou ali e já volto como faço toda metade do ano. De volta ao casulo para repor as energias, crescer novas asas e decolar. Já disse isso no texto anterior, mas é que parece que quanto mais perto do inverno, mais perto meu aniversário, mais para dentro de mim mesma vou entrando. É estranho não se reconhecer e todo ano isso acontece. É o tempo que preciso comigo para que possa nascer uma nova eu. É até curioso escrever sobre isso, a morte das velhas coisas. Hoje mesmo meu notebook deu tela azul sendo que ontem foi assim mesmo que me senti em relação a essa fase. Deu tela azul aqui e é necessário substituir o software. 

Vão mais algumas semanas até quem sabe eu voltar a escrever sem parar, como passei os últimos meses, mas por enquanto estou mais interna que externa e me conhecendo como conheço, depois disso com certeza precisarei externizar. Por enquanto vou encaixotando velhos hábitos, desapegando de velhos sentimentos e deixando ir o que não quiser ficar. É passado, e não importa quão forte você o segure, não adianta, ele já se foi.

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