Todos os dias me sento no mesmo banco esperando o mesmo ônibus. Ele vem, nem sempre no mesmo horário. Ao meu redor vejo apenas flores e encaro o sol das 9:00 da manhã. A rua como sempre está calma, vez ou outra passa por aqui um carro ou uma moto, fazendo barulho ou sujeira demais. Para onde olho vejo árvores fazendo sombra e uma pequena variedade de animais. Racionais e irracionais. Dentro do transporte me sento no banco de sempre segurando firme para não cair, daqui vão mais vinte minutos até eu encarar mais uma multidão e ser obrigada a encarar por mais um dia a vida real, que mais parece uma piada mal contada ultimamente. Mas por enquanto olho pela janela ao mesmo tempo que escrevo: destruíram as flores laranjas para construir mais uma coisa qualquer. Ainda é cedo, as pessoas estão começando a acordar, mas o sol já está quente e do alto do céu está a brilhar. Repito o mesmo caminho de ida e volta todos os dias, mas todo dia é diferente, vejo gente que não via a tempos e gente que nunca vi, e gente que nunca mais vou ver. Trabalho minha respiração para que me lembre de respirar daqui algumas horas. Simplesmente me deixo existir enquanto sou obrigada a ficar por lá. O problema não é o lugar, são as pessoas, com o passar do tempo elas mudam e se tornam pessoas que você não quer manter por perto pois elas são pesadas demais para o seu espírito. E é por isso que simplesmente existo, não vale a pena gastar nossa paz com quem só quer te colocar para baixo. E então alguém cheirando a cigarro entra no seu núcleo e seu pensamento se confunde, o cheiro faz seu nariz coçar e você já não sabe mais do que estava falando. Por outro lado nem tudo é de todo ruim, a fim de fugir da realidade sua mente viaja para longe e você se imagina nos braços de sempre, protegida do mundo. E você volta a olhar pela janela e vê as folhas coloridas caindo e formando o mais lindo tapete. Amarelas, rosas, roxas. De vez em quando a vida é boa. E hoje é quarta-feira, sexta já está aí, e às 18:30 posso gritar liberdade pelos próximos dois dias.  Faço planos e os desfaço na mesma hora, não comento mais nada com ninguém, guardo para mim (e para nós) todas as ideias, não por medo de não dar certo, mas só por que sim. Ninguém precisa saber, não quem plenamente não se importa. Me pego cantarolando as mesmas musicas, encarando minha proteção de tela, enquanto sou obrigada a atravessar multidões. O coletivo de transporte público é a falta de educação - mas não quero ser um deles. Espero paciente o próximo chegar, não estou com pressa e muito menos me importo com sentar, já saí dessa. O que quero é chegar onde preciso chegar. Em paz. Com o passar do tempo passei a dar muito valor a "paz". Paz de espírito, paz no geral. Estar em paz. E desde então parece que minha vida e meu jeito de viver mudaram totalmente. Por hoje, o de sempre. Por amanhã, a espera pela sexta-feira. Por sexta-feira, todo o amor do mundo. 

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