Ou: mais um texto sobre Gilmore Girls (pode haver spoilers).

Terceira temporada, episódio 16. Paris não foi chamada para Harvard. Enquanto via esse episódio fui transportada para a minha primeira tentativa, falha, de entrar na UFU. Talvez eu já tenha comentado essa experiência por aqui, não me lembro, mas memórias foram revisitadas e preciso escrever. Isso foi em 2011/2012. Eu não queria desapontar meus pais, eu queria que minha família parasse de me pressionar, eu simplesmente não queria ficar parada, mas diferente de Rory ou Paris, eu nem sabia o que eu queria fazer naquela época. Eu sabia que eu gostava de escrever, eu sabia que fazia parte das artes, mas não conseguia enxergar nada daquilo como profissão, eu não sabia que era possível, tudo o que eu ouvia era que eu iria passar fome com uma coisa que não dá dinheiro. Eu nem pensava na fotografia naquela época. E fiz o bendito ENEM. Parte de mim sabia, lá no fundo, que eu não ia passar. Curiosamente eu descobri que "só" fiz três provas: 2011, 2012 e 2014 - que mais parecem cinquenta nas minhas lembranças. Lembro exatamente de quando fui olhar o resultado da prova de 2011, sentada de frente para aquele computador branco que ainda era de caixa, prestes a encarar as notas do meu, até então, futuro. Todo mundo ia fazer, todo mundo já tinha um rumo traçado, eu não queria ficar para trás. Mas eu não era todo mundo. E eu não passei.
Passei a maior parte de 2012 sofrendo, me inscrevi de novo, não, eu ainda não sabia o que eu ia fazer, eu não parei nem um segundo para analisar quem eu era de verdade, o que eu queria para o meu futuro, eu só queria um diploma e dizer adeus. Com uma diferença de média de 20,06 pontos de 2011 para 2012, novamente eu não passei, e eu nem me lembro quais opções eu escolhi. Foi só depois da segunda decepção (sim, um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar), muito choro, depois de não me achar boa o suficiente para atravessar uma federal que "joguei tudo para alto" e que ninguém tinha nada a ver com a minha vida, eu ia fazer a faculdade que eu quisesse onde eu quisesse. E foi assim que fiquei um mês numa particular pagando uma parcela ridiculamente alta mas tendo ótimas aulas, e então percebi o que sempre soube: a gente só sabe quando tenta. Eu tentei, eu adorava o curso, a rotina, mesmo corrida e fedendo a formol, mas percebi a tempo que aquela não era minha vocação, a profissão onde queria passar o resto ou uma parte da minha vida, e contrariando a tudo e a todos, eu mesma fui lá (me sentindo super adulta) e nem tranquei o curso, cancelei direto minha matrícula. Não me arrependi. 

E foi com uma média melhorzinha que em 2014 quase entrei em Letras na UFU. Quase. Eu estava na lista de espera, meu nome estava lá, eu fui chamada com um zilhão de e-mails, eu fui atrás da documentação, a pessoa que escaneou tudo não mandou para o meu e-mail, eu precisava para o dia seguinte, quando vi era tarde demais. Perdi a primeira chance real que tive de pisar como aluna na UFU, talvez eu tivesse gostado de Letras, talvez hoje eu já estivesse no meio do curso, mas então veio 2015 e me trouxe coisa melhor que ficar choramingo ou xingando mentalmente a incompetência das pessoas. Sabe-se lá o que eu teria encontrado dentro do curso de Letras, mas 2015 me trouxe a graduação no curso de fotografia, uma prática imensa com minha escrita, mudança de projeto na empresa, minha primeira cliente, eu estava me virando, eu estava fazendo mil coisas. De algum modo não era para eu entrar na UFU, não naquele dia, não naquele ano. Mentiria se dissesse que não fiquei feliz, claro que fiquei feliz! Mas são tantas possibilidades que prefiro não pensar no "e se" e ser feliz com o que tenho dois anos depois. 

Fato curioso: o meu primeiro resultado no ENEM eu olhei ouvindo Livin' On A Prayer, é até engraçado pensar nisso hoje por causa da letra da música. 

Se isso conforta alguém, o que tiro dessa experiência é que não é preciso ter pressa para alcançar o futuro, ele vem eventualmente, e nem sempre como a gente imagina.

Vai dar tudo certo, Paris.


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