"Desde que o primeiro livro se abriu para mim (e se fechou sobre mim), o cotidiano tornou-se um fardo a suportar. Era aquém demais."

Esse livro me deu uma ressaca literária do bem - aquela que te deixa sem palavras e com vontade de ficar olhando para o teto absorvendo tudo o que você leu nos últimos dias, ou horas. Eliane Brum escreve de forma poética e nos conta desde o princípio de sua relação com as palavras, e como as palavras a salvaram. O livro todo é triste e tem um ar melancólico, te deixa com um aperto no peito e com vontade de deixa-lo pela metade, mas só de pensar na possibilidade você se apega mais ao papel (ou ao Kindle) e não consegue solta-lo até que ele lhe corte pedaço por pedaço. Esse é um livro intenso. "Meus Desacontecimentos" cutuca e faz refletir, e depois vai embora deixando um vazio no peito e no estômago.

De certo modo, todos nós temos nossos desacontecimentos.

Ele é bom do jeito mais estranho que um bom pode ser, afinal como achar que uma coisa que te machucou pode ser boa? Ele simplesmente é. Principalmente para que as palavras significaram a vida inteira muito mais que simples palavras. Eu já sentia que a escrita de Eliane Brum não era alegre desde que li o começo de "Uma/Duas" e por mais doloroso que possa ser, tenho vontade de ler esse outro livro graças à "Meus Desacontecimentos".

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