Março foi um mês tão cheio de procrastinação que procrastinei até o resumo do mês. Foi o mês em que finalmente tirei férias, porém não consegui exatamente descansar pois também foi o mês em que mais entrei na bad na história dos meses de bad. Eu até consigo imaginar o motivo, mas não vale a pena, vida que segue. Tanto é que não tem muito o que falar, eu não sei muito o que falar. A única coisa mais grandiosa que me aconteceu definitivamente foi a tatuagem e o Loki ter entrado na família. Fiquem com um vídeo meio torto:

Prazer, Loki


Aliás eu entrei numa vibe de gravar vídeos, do tipo, o liquidificador batendo um futuro milkshake e estou me perguntando se usei algum tipo de droga. Não que eu saiba. 

E troquei meu equipamento fotográfico. Quer dizer, comprei uma câmera nova e falta a moça enviar, a Oly (só porque é uma Olympus) fará uma longa viagem de Porto Alegre até Minas Gerais. 

Enfim, março.


Quero escrever sobre coisas sérias.

Desde que comecei a faculdade eu venho me envolvendo cada dia mais com o universo dos professores, e não posso ouvir alguém falando mal das greves que me vem uma alma "me segura que vou falar umas verdades". 

Eu ainda estou longe de entrar nessa realidade, mas mais cedo ou mais tarde vou acabar entrando porque o estágio é obrigatório e não tenho a mínima intenção de mudar de curso, eu comecei a entender que as greves não são atoa, as manifestações também não são. Tudo tem um motivo. 

Estou dizendo isso pois algumas escolas estaduais aqui da cidade estão de greve e tudo que eu ouço é "de novo greve", "toda hora tem greve", "não sei pra que tanta greve", e então eu fui pesquisar o motivo da greve: reforma da previdência que faz todo mundo se aposentar com 65 anos de idade e 25 de contribuição e alguma coisa a ver com convênio médico. Acabei me aprofundando só no primeiro tema.

Sabia que os professores tinham uma aposentadoria especial devido ao seu trabalho que gera desgaste mental, estresse e essas coisinhas básicas que normalmente são causadas pela quantidade absurda de alunos em sala? E esses mesmos professores além de planejar, ensinar sua matéria e ainda fazer todas as suas horas extras de trabalho, ainda tem que dar educação para seus alunos que teoricamente deveriam trazer de casa? Então, parece fácil dizer que professor é vagabundo e só faz greve pra ficar de corpo mole, quando na verdade ele está em busca de condições melhores de trabalho que o ajudem a levar a melhor educação possível para uma sociedade que hoje é cheia de analfabetos funcionais.

Se a reforma for aprovada nossos queridos professores perderão seus direitos, bacana né? 

E ainda tem comentarista de portal dizendo que o professor é uma profissão em extinção. Bom, considerando a quantidade de gente que faz e tem interesse em Licenciaturas e Pedagogia, e de gente que tem amor por ensinar, espero que esteja longe dessa tal extinção, afinal, quem é que vai te ensinar a fazer esse comentário?

Não leiam comentários de portais de notícias.

(...) já é hora de abrir a porta da gaiola, sentir o vento no rosto, e voar!
Não tenho muito a dizer, esse é só um registro para a posteridade de que tatuei. 
Doeu? Não. 
Tô com medo do meu braço cair? Estava durante o sangramento.
Tô bem feliz com o resultado.

🐦

"Por isso, tanto quanto possas, repreende-te a ti mesmo, faze um exame de consciência; assume primeiro o papel do acusador, depois o de juiz e, por último, o de intercessor." - Aprendendo a Viver, Sêneca

A autocrítica é uma faca de dois gumes que usamos errado a vida inteira.

Quando se diz respeito ao trabalho, sempre, ou quase sempre, nos julgamos para o bem, estamos sempre certos, afinal, "estamos fazendo nosso melhor". Somos o intercessor. Já na vida pessoal, mal magoamos alguém, ou somos magoados, nossa autocrítica toma a voz do acusador. 

Em nenhum momento paramos para ser o juiz.

Minha autocrítica me impede de finalizar um texto importante para a faculdade, me impede de dar opinião quando acho pertinente, me impede até de falar em voz alta o que penso, dizendo que ninguém se importa. Minha autocrítica faz com que me sinta culpada por coisas que não tive a menor influência. Ela faz parecer que de algum modo, tudo está errado, eu estou errada. 

É importante se criticar menos e acreditar que se fez um bom trabalho, independente de ser ou não sobre o trabalho. 

🌸

A Persistência da Memória, Salvador Dalí
O passado não é mais que um conjunto de lembranças. Uma vez apegados ao passado, não conseguimos seguir em frente. 

Assim como o futuro não passa de um conjunto de desejos. Uma vez apegados ao futuro, criamos uma onda de ansiedade e frustração se nada sai como o esperado. 

Não podemos nos apegar, nem ao passado, nem ao futuro, nem ao presente. Se apegar é prender tudo numa gaiola com cadeado e jogar a chave a fora. Temos simplesmente que amar nosso presente, o momento que está acontecendo agora. Independente do que nos aconteceu ontem, sem pensar no que pode nos acontecer amanhã. 

Precisamos pensar no nosso momento, e não no dos outros. Não deixar que a mente crie histórias imaginárias, onde nada daquilo aconteceu, ou está acontecendo, e se acontece, não nos diz respeito pois não é de nossa vida que estamos falando, é da vida dos outros. A vida dos outros não nos diz respeito. O que o outro faz ou deixa de fazer, não nos diz respeito. Não importa quem é o outro. Se importar é criar uma mágoa que não tem motivo para existir. Mágoa nenhuma deveria existir. Rancor só serve para machucarmos a nós mesmos. 

O tempo é curto, relativo e passa muito rápido para se ver preso a coisas que não vão mudar nossa vida para o bem.

É preciso gastar o tempo com coisas que vão acrescentar de alguma forma. Acrescentar conhecimento, uma vida mais leve, sorrisos, bons amigos, novos amores, perspectivas diferentes. Usar o tempo presente descobrindo sua essência. Por que você está aqui? Qual o seu propósito? Mas sem se ver em um limbo cheio de perguntas sem respostas. Um pouco hoje, um pouco amanhã, um pouco todos os dias. 

Há tempo para tudo. 

🌸

O gosto é amargo, nojento, embrulha o estômago, e você nem sempre sabe de onde veio, mas vem que nem um soco bem forte, e fica doendo por muito tempo. É quase bater o dedo em uma quina despercebida, é uma dor que você evita sabendo que vai chegar. mas ao mesmo tempo é uma dor sem fundamento, ninguém te contou a história toda, você só esta vendo fragmentos, e esses fragmentos podem ser qualquer coisa. E o problema são os fragmentos que sozinhos se transformam em coisas que não existem, e são essas coisas que fazem doer. A invenção. a historia mal contada. a mente fraca inventa os caminhos e faz a cicatriz se abrir, se machuca em vão. uma história que você tinha deixado adormecida volta devido a fragmentos jogados no vento, sem intenção nenhuma de machucar. É tudo imaginação. E a imaginação faz questão de doer. 

Respira. não pira. Seja clichê, seja você. Já vai passar, está passando, já passou. 

Não se deixe inventar histórias tristes, faça dos fragmentos sorriso. Erga a cabeça, coloque um vestido e sai girando. Respira. Deixe que a história verdadeira chegue até você se ela quiser chegar. Os monstros vão continuar te assombrando só se você deixar. Respira. Fundo. Olha pro céu. Fecha os olhos. Sente a brisa que traz a chuva? Deixe ela lavar a alma e ignora os fragmentos. Fragmentos são leves demais para ficar para sempre. Fragmentos são os mosquitos chatos que ficam fazendo barulho na hora de dormir. É só ignorar que eles vão embora.

Respira.

Estou em uma crise de identidade com o blog - depois de dois anos, já não me sinto feliz com o nome que ele foi rebatizado. E eu sabia que isso ia acontecer em algum momento. 

Olhar para o "Diga, Ludimila" vem me incomodando, porém eu não sou a melhor pessoa do mundo para dar nome aos bois, então fiquei aqui matutando enquanto brincava de ser designer de novo, e me deparei com uma imagem que falava de café. 

Eu não sou a maior fã de café do mundo, tanto é que na brincadeira até escrevi "Prefiro chá" na imagem, e até me veio colocar esse nome no coitado do DL, daí me lembrei que apesar de odiar café preto, gosto bastante de cappuccino, e que meu jeito favorito de tomar é colocando chantili por cima, apesar de não saber lidar muito bem - mais alguém come o chantili antes de tomar o café? Me veio o nome "Com chantilly, por favor" e ele me é tão familiar que tenho até medo de usar, porém pesquisei, pesquisei, e não encontrei nada na rede mundial de computadores.

Mas - porque sempre tem um mas - eu acho que nem é tanta vontade de usar esse nome, o que me inspirou foi a imagem, eu sou boa dando nomes à imagens, gosto de dar títulos, então mudar o nome do blog para "Com chantilly, por favor", não é mais que equívoco, esse não é o blog, essa não sou eu, apesar de ter amado, não é pra mim. 

Ou talvez seja, mas ainda não me sinto conectada à ele.

Já tem uns meses que venho fica cada dia mais reflexiva, e me sentindo cada dia mais adulta, e minha única explicação pra isso são meus 23 anos que vem chegando, devagar, mas vem. Talvez chá seja a pessoa que eu era antes, e café quem eu estou me tornando. Afinal, apesar de caro, eu amo ir no Coffee Shop de vez em quando (passa Policard, então não dói tanto!). 

Há alguns dias me peguei pesquisando coisas-sobre-os-23 e me deparei com essa lista do Buzzfeed que me fez rir e ficar fazendo reflexões profundas ao mesmo tempo: 21 is basically the B-side of our teenage years, and 22 is just a mess. 23 is when it really starts.

Sabe a aquela velha conhecida tela azul do Windows XP? Me sinto mais ou menos assim.


Mesmo me considerando uma pessoa minimamente organizada, nessas férias me peguei no ócio em grande parte dos dias, e adiando coisas inadiáveis em relação a faculdade. Confesso que tinha vontade de estar de férias de tudo às vezes, mas não é possível, então tive que me organizar para fazer as coisas - desde acordar mais cedo para que eu renda mais estudando, já que é natural para mim, até podendo intercalar com dias mais leves onde passo simplesmente assistindo um monte de filmes e fazendo vários nadas. 

Fui em busca de um dos vários cadernos perdidos aqui em casa e a melhor coisa foi perceber que as folhas do caderno de organização que comprei pronto há alguns anos, são retiráveis sem precisar arrancar, então o que eu fiz foi inspirado nesse vídeo, que eu vi no blog da Muryel e deixei no caderno só folhas necessárias para o resto do ano, podendo repor e substituir se necessário.

Eu conheço essa onda de bullet journal há bastante tempo, mas só agora resolvi tentar pra valer, dessa vez sem me preocupar com ser uma boa desenhista...

(Saudades aulas de Artes do Ensino Fundamental, e falando em aula de Artes, desde que comecei a Licenciatura em Artes Visuais, eu fiquei muito teórica e às vezes me pergunto por qual motivo eu estou fazendo, foco agora, LICENCIATURA, mas aí eu assisto as aulas, leio uns textos e penso "que incrível é isso, quero inspirar aquelas crianças igual alguns professores e professoras me inspiraram", parece loucura olhando assim, e eu sei que a prática é bem diferente da teoria, inclusive estudamos e frisamos bastante isso, mas a Licenciatura me conquistou de um jeito esquisito. Perdão pelo parêntese enorme.)

...ou com um super índice cheio de detalhes, eu simplesmente abro o caderno, anoto as coisas que eu tenho que lembrar de fazer, e depois marco o que foi feito. O jeito mais simples de organização. Mas definitivamente a coisa mais legal foi as capinhas de pano que comprei para os livros terem chegado, comprei essa da Turma do Charlie Brown pensando exatamente no caderno (calma, o parêntese é curto agora [!!!!!] - pra quem tiver interesse, é da Santa Nuvem! Demorou um pouco pra chegar devido a infortúnios do destino, mas elas são ~lindimais 💕)



E ontem eu descobri um site chamado Canva para fazer designs legais de imagem, cabeçalhos de redes sociais, currículo criativo, midia kit, infográficos, e enfim, enquanto a sinusite me matava aos poucos eu ficava brincando de web designer, recomendo muito pra quem tá afim de dar uma cara show pras imagens do blog, se você se importa com isso. A primeira imagem desse post eu fiz lá. Agora você volta lá em cima e olha na minha cara e diz "cê não devia tá estudando?", eu cheguei a fazer um infográfico pra isso, mas ele ficou meio bizarro. Aliás, adoro chamar os bullet jounals (é esse o plural?) de agenda bonitinha. Por enquanto só digo uma coisa sobre o trabalho da vez na faculdade: empolgada, porém nem tanto.

Uma coisa eu notei, quando tô de férias, toda aquela ideia de dois posts por semana cai por terra porque eu fico falante demais e com tempo demais disponível pra fazer qualquer coisa, e o que resolvo fazer?

Isso mesmo.

Escrever.



Cinderela (2015)

Eu sou uma pessoa apaixonada por contos de fadas, desde sempre, quando era mais nova chegava a imaginar meu próprio conto de fadas, não exatamente com um príncipe, mas com a fada madrinha, e a magia e tudo que se tem direito. Já faz bastante tempo que me afastei dessas histórias, porém assistir Cinderela (2015), fez a chama se reacender dentro de mim. Eu acho difícil falar de coisas que as pessoas já conhecem, e mais ainda falar de coisas que eu amo. Cinderela em especial é sutil demais para que eu posso chegar a alguma conclusão, para que eu consiga escrever sobre o filme, porque é difícil demais escrever sobre sentimentos. O tempo todo ele me despertou sentimentos adormecidos. Me arrependo de não ter assistido no cinema. Tento colocar em palavras o que estou sentindo desde o momento da subida dos créditos e simplesmente não consigo. Nessa nova versão conhecemos a mãe de Ella (que eu não sabia que se chamava Ella até então), e o filme todo gira em torno das últimas palavras que ela diz para sua filha antes de morrer: "tenha coragem, e seja gentil". De algum modo isso está agora preso em mim. Tenha coragem. Seja gentil. Talvez eu devesse reler Pollyanna para manter aceso o espírito da gentileza. Em um mundo tão duro, tão difícil, tão complexo, ver as coisas com leveza, porém sem fugir da realidade, é a melhor maneira de viver e não apenas sobreviver nessa selva de leões. Eu amei muito esse filme e mais uma vez a Disney conseguiu aquecer meu coração, pois afinal, a única coisa que precisamos às vezes é ter coragem, sermos gentis e de um pouco de magia.


Escritores da Liberdade (2007)

Por outro lado se Cinderela é pura magia dentro da realidade, Escritores da Liberdade é a própria realidade jogada direto na sua cara, e não é atoa que foi baseado em uma história de verdade. O filme se passa em Los Angeles, na época maior de luta entre classes e gangues. Latinos não se misturavam com negros, negros não se misturavam com asiáticos, ninguém se misturava com ninguém e todo mundo se odiava - e se matava - por muito, muito pouco. E Erin Gruwell é a nova professora da escola que mais parece uma extensão das ruas. Ela da aula para uma turma que se divide entre todas essas gangues - e um garoto branco - e durante seu ano letivo ela vai entendo aos poucos e conquistando seus alunos um por um, com a ajuda de "O Diário de Anne Frank". É um ótimo filme e enquanto escrevo esse breve comentário acabei de fazer uma associação com Cinderela (acho que o destino me fez assistir o live-action antes de querer escrever sobre Freedom Writers). O que Erin ensina em sala é praticamente a mensagem que Cinderela deixa pra gente: "tenha coragem, e seja gentil", e a magia? Erin foi a magia, o milagre na vida de cada um daqueles adolescentes. Ela fez com que eles se libertassem de seus passados, compreendessem seu presente e pensassem em seus futuros da forma mais libertadora que existe: escrevendo.



E eu precisava incluir esse gif em algum lugar, só por isso ele esta aqui. Have courage, and be kind! 💖

Esse é um texto sobre nada. Tipo, é março, eu estou de férias há 14 dias, metade do mês já se foi, e uma das férias onde eu não tinha nada exatamente programado, porém estava cheia de expectativas porque "mil planos para os próximos 30 dias", sim eu achei, me enganei, os planos foram sendo cancelados, eu fui sendo sugada pela cama, pelo sofá, pela geladeira, pela comida, e "nossa como você está abatida", pois é. Nem me sinto de férias. Minha cabeça dói todos os dias de tanto olhar para a tela do notebook (com o nível de brilho baixo!), prazos porque estou envolvida, mas nem tanto, com a faculdade, e provas chegando, trabalho, dois textos pra escrever, um que tem que se manter vivo na minha mente até o dia D porque é presencial. (Vocês, provas presenciais, eu). 

Eu reorganizei meu caderno de organização, tirei as folhas que não uso e descobri que tinha como sem precisar arrancar, as capinhas pra livro que comprei dia 31 de janeiro (!) finalmente estão chegando, e eu estou confusa, não de não saber o que estou fazendo com a minha vida, mas de as coisas não estarem fazendo sentido mesmo. "Ela tinha cabeça de vento com os pensamentos tipo vendaval.", na moral, ficar o dia todo em casa é um saco.

Mas ao mesmo tempo, não quero sair.




"O Sorriso de Monalisa" se passa em 1953 em uma sociedade onde a única função das mulheres é se casar e cuidar da casa, do marido, e seus futuros filhos, a recém-formada professora de História da Arte,  Katherine Watson, chega na escola tradicional Wellesley College, uma escola só para mulheres, totalmente tradicional, para quebrar padrões e dizer que além de "donas de casa", aquelas mulheres podem ser o que elas quiserem, e se elas quiserem. Mulheres do lar, advogadas, ou os dois. Julgada por estar na casa dos 30 e ainda não ter se casado, perseguida pela diretora do colégio que quer que ela siga rigorosamente o que está proposto no currículo da escola, e ainda lidando com a sua vida pessoal que também não vai bem, Katherine continua de pé, de cabeça erguida com o único propósito de mudar o mundo.

Com a minha bagagem de um módulo e meio de faculdade eu na maior parte do filme fiquei analisando como Katherine lidava com suas alunas em sala e modo como o currículo tinha de ser seguido a risca por todos. O que estava no programa tinha de ser ensinado e ponto, o que no caso dessa turma em específico, não agregava em nada, pois elas já sabiam de tudo. E para Katherine, ver todas aquelas mulheres tão inteligentes serem moldadas e levadas a crerem que sua única função era cuidar da casa e do marido foi mais que o estopim para que ela desse suas aulas do seu jeito e fizesse suas alunas pensarem fora da caixinha. Para mim foi um "quando eu crescer quero ser que nem você".

Esse filme foi o tempo todo um tapa na cara e alguns socos no estômago no que diz respeito aquela palavra com F, engraçado (ou nem tanto assim) que eu fico falando que quero mudar o mundo, sendo que nem consigo mudar a mim mesma direito, eu quero falar, e ser ouvida, mesmo que meu timbre não seja dos mais altos, eu quero continuar nele, porém mesmo assim, ser ouvida e até quem sabe, compreendida. Talvez Kath não tenha conseguido mudar o mundo, mas depois dessa cena elas se abraçam e a gente vê aquele ar de "dever cumprido", em um estilo até meio Mary Poppins de ser, posso não ter mudado o mundo ou influenciado todas elas, ou todos eles, mas eu ajudei alguém a abrir a cortina de renda e olhar para o lado de fora da janela, posso ir para casa e descansar minha cabeça em paz no travesseiro. Eu fiz alguma coisa. Kath não diz nada disso, mas é o tipo de coisa que fica no ar. E bom, é arte, e a arte é subjetiva. 

Eu nunca dei aula na minha vida e nunca estive em sala de aula a não ser como o aluno, porém escolhi a Licenciatura, e pode ter sido simplesmente pelo meu interesse nas Artes e não em dar aula, e sendo bem sincera, foi, mas depois de entrar em contato com o outro lado da moeda e assistir muitos vídeos da Patrícia Pirota, a chama da docência se acendeu dentro de mim, e por enquanto, é isso que estou fazendo.

Da série "relembrar é viver"...

Dia desses me arrumando pra ir pro trabalho me lembrei de uma frase que dizia algo mais ou menos como "usar lingerie combinando deixa seu dia mais feliz", na verdade a frase não era essa, não é nem uma frase, é um tópico desse post da Anna Vitória no falecido So Contagious que te diz para dançar Crazy In Love sozinha com lingeries combinando. Funciona mesmo.

Daí eu entrei num loop infinito de vídeos antigos da Lully (de verdade) cujos quais aqueceram meu coraçãozinho:


Daí deixando de lado esse tema de amor, ex-amores, e etc...


E o vídeo que inspirou esse post:


Por hoje é só :)

A meninada da rua brincava todos os dias e iam de Adoleta para Amarelinha tão rápido quanto o vento. Antes e depois da escola se reuniam para jogar o que lhe dessem na telha e só voltavam para casa quando o sol estava se pondo e as mães gritavam que era hora do jantar. A arte do brincar estava intricada em cada um, de tempos em tempos os jogos mudavam e com cada jogo aprendiam uma coisa nova. Porém a brincadeira preferida de todos era de longe a bola.
Para quem quer que se pergunte a resposta era sempre a mesma: jogar bola. Para alguns a Adoleta era coisa de menina, Amarelinha “coisa de criança”, mas a bola era unânime, todo mundo brincava e rolava, e revezavam uma hora no gol – feito de chinelas velhas, outra hora na linha correndo pra lá e pra cá tentando roubar a bola do colega. Nas férias então se juntavam todos os primos e primas, se separavam times para jogar contra a turma da rua de baixo e as ruas da cidade se enchiam de cores com a alegria das crianças.
Elas não tinham medo de se sujar ou machucar, não importava cor ou gênero, todos iam sagazes atrás do mesmo objetivo, com a essência de ser criança viva em seus corações. Foi jogando bola que aprenderam o que competitividade e trabalho e em equipe, e que nem sempre se ganha.
Essas crianças já viraram adultas e alguns já têm filhos, e seus filhos são as novas crianças que apesar de pouco ainda vão para a rua, se sujar, chutar bola, aprender e, claro, ser criança.

Brás Cubas já morreu e decide escrever um livro sobre sua vida, até chegar em sua morte. Como ele mesmo diz, ele não é "um autor defunto, e sim um defunto autor".

É um livro bom para quem gosta de ouvir histórias sobre vidas alheias, pois nada mais é que isso. Eu não tinha interesse de saber sobre Brás Cubas, nunca tive, nada nunca me deixou curiosa para saber tudo o que ele viveu, então para mim, foi chato. E posso dizer que ele não viveu nada mais que uma vida normal.

Por esses motivos listados acima foi um livro que me deu sono, coisa que nunca acontece, e fiquei entediada a maior parte do tempo, eu só queria que ele terminasse logo. No fim acabei avaliando com quatro estrelas porque apesar da história ser chata, a forma como ela foi narrada foi bem bacana e a conversa com o leitor me conquistou, foram as únicas partes que me mantiveram acordada.

Pra quem nunca tentou Machado de Assis, ele não é tão difícil assim, dá pra ler sem grande sofrimento, mas só leia se o gênero te agrada. Pra quem é obrigado a ler, é aquele ditado: "vâmo fazer o que?", não é mesmo.

Porém não posso ser totalmente injusta e dizer que odiei, teve um capítulo em específico que eu amei, chamado "O bibliômano", que é sobre num futuro, um colecionador de livros se esbarrar numa edição única dessas Memórias.

"Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes."

Agora um breve comentário... Certo trecho diz: "Vendera tudo, quase tudo; um homem, que a amara outrora, e lhe morreu nos braços, deixara-lhe aquela loja de ourivesaria, mas, para que a desgraça fosse completa, era agora pouco buscada a loja - talvez pela singularidade de a dirigir uma mulher."

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" foi escrito em 1880. Eu não pude deixar de pausar a leitura para comentar que machismo escancarado dos clientes da tal loja. Nesse mesmo trecho ele diz como antes a loja era bem visitada e então uma mulher toma o lugar do dono e as coisas simplesmente mudam. Hoje em dia muitos empreendimentos são dirigidos por mulheres, mas até hoje, desde 1880 e muito antes, essas mesmas mulheres continuam ouvindo que não são capazes de gerar um negócio.

Minha vontade é colocar todos os trechos marcados, mas vou ficando por aqui.