Eu tive uma experiência enriquecedora na fase escolar. Comecei a estudar cedo, entrei na pré-escola aos três anos de idade, mas minhas memórias dessa época são bem vagas. Pulei o que chamado na época de Jardim I, provavelmente no Jardim II tive meu primeiro contato real com as palavras. Minhas memórias são nuances. O Jardim II, um livro da história da Cinderela que tenho até hoje e o Pré se mesclam na minha memória. E então aqui começa meu relato propriamente dito: no Ensino Fundamental. Eu me lembro até hoje de ser a aluna que gostava de passar o recreio na biblioteca e via os professores mais do que como educadores, eu via-os como amigos. Foi ali, naquela escola onde passei todo o meu Ensino Fundamental, que fui encorajada a partilhar minhas ideias e colocar minha voz no mundo. Foi ali que descobri que poderia me comunicar com escrita, dizer todas as coisas importantes que talvez fossem ignoradas pelos outros. E o Ensino Médio moldou a pessoa que eu me tornaria, mesmo que eu não soubesse disso naquela época.

Os motivos pelo qual escolhi o ensino a distância são diversos, mas ensino a distância não foi minha primeira opção, tanto é, não fossem algumas escolhas feitas durante o caminho, eu nem estaria escrevendo esse relato para começo de conversa. Antes de chegar nessa parte da minha história, eu fui aprovada em mais de uma faculdade presencial, e por vários empecilhos não segui em frente: horário do curso, localidade do curso, e até mesmo o próprio curso em si. Eu até cheguei a seguir em frente uma vez, e ter tido a experiência de ser uma aluna presencial também me auxiliou em enfim dar outra chance ao EaD, porque, pelo menos na universidade onde eu estava, a turma não era das melhores, era aquela típica turma presencial, alguns tentando aprender, outros só querendo brincar. O fato de sermos alunos solitários, no meu caso, me ajuda a absorver muito mais agora que não preciso gastar uma hora e meia me locomovendo para chegar numa sala onde eu provavelmente foi absorver bem menos que o esperado. Eu nunca havia imaginado o ensino a distância como possível, até precisar dele. Eu era como a maioria mesmo sem saber que eu não seria como a maioria no futuro. A meta era terminar o colégio, e entrar na faculdade, porém acabei optando por um curso livre que me obrigava a ser uma aluna EAD, e foi ali que eu descobri que isso era possível. Foi minha experiência de um ano e três meses no curso que me mostrou que eu era capaz de ser uma aluna EAD se eu quisesse. E no final eu não tive muita escolha, fazer uma graduação à distância era o único modo que havia de eu efetivamente me graduar na área em que eu queria. O ensino a distância, com a sua flexibilidade, foi a resposta para que eu pudesse me graduar. Fazer meu próprio horário e ter autonomia foram as duas coisas triviais para mim, e saber que mesmo solitária eu não estava sozinha, afinal, o apoio está lá sempre que necessário. 

Apesar do medo e do receio de tudo dar errado, escolhi o ensino a distância sabendo que seria necessário ser mais responsável que o restante dos graduandos, porque não vai ter ninguém me dizendo o que fazer ou quando fazer, tudo que tenho é um calendário base e as datas para fazer as provas e entregar o trabalho, qualquer escorregão, eu perco o prazo. Como uma pessoa que estuda e trabalha, tive que trabalhar na minha organização, criar uma rotina para que eu não me perdesse nas demandas, ser autônoma e às vezes até autodidata – dizem que todo professor tem um pouco de pesquisador. O estudo EAD é um estudo baseado e pautado no planejamento, pois sem ele você não sabe para qual caminho seguir e nós temos muitos aliados para ajudar nesse planejamento. A essência do aluno é a organização, e ele precisa estar ciente de tudo isso antes de começar a estudar para ter a melhor experiência possível e se tornar um bom profissional de sua área com todo o conhecimento adquirido durante os anos de faculdade. E para poder se organizar, além da antiga e velha conhecida de todos, a agenda, hoje em dia temos as tecnologias que permitem com que se realize esta modalidade de ensino. 

Podemos usar ferramentas online e aplicativos de telefone para nos ajudar a seguir em adiante, como o Evernote que é uma plataforma organizacional, ele pode ser de um bloco de anotações a um caderno completo se o aluno quiser e ser daqueles que preferem digitar a escrever, além de vários outros recursos como escaneamento de imagens, que é ótimo por exemplo quando durante a leitura do livro de apoio do módulo, nos deparamos com um gráfico que achamos importante, não é necessário desenhá-lo, é só tirar uma foto e mandar para o site. Temos também o Todoist que é um gerenciador de lista de tarefas, como o próprio nome diz, é um guia para as tarefas mais importantes do dia. A própria internet é uma grande enciclopédia, falando em livros, hoje existem os E-books substituem livros impossíveis de se encontrar em uma biblioteca ou que estão esgotados nas livrarias. Temos vídeo aulas no YouTube, Podcasts dos mais diversos assuntos e essas são só algumas das tecnologias que auxiliam no estudo EaD – e não apenas nele. Elas estão aqui para que todos possam utilizar e se ajudar a evoluir mais e mais todos os dias. A tecnologia nos dias de hoje faz com que qualquer assunto seja acessível a qualquer pessoa que tenha o mínimo de interesse de fazer qualquer coisa, e unindo a força de vontade com os recursos necessários, basta ter responsabilidade com seu tempo, e pronto, o ensino a distância pode ser um sucesso.

Eu entrei na faculdade EaD sem expectativas, não conhecia ninguém que tivesse feito para me dizer como funcionava, mas acabei encantada por esse universo. Eu não achava possível me graduar em um curso que parecia tão cheio de prática, a distância. Eram vários questionamentos sobre como eu faria isso, se não seria só mais um curso livre, porém com maior duração. E não foi nada disso. Como uma pessoa que foi brevemente aluna de uma universidade presencial, a experiência a distância está sendo muito mais enriquecedora hoje. Minhas expectativas são cada vez maiores, todo vez que um assunto se encerra, já fico animada esperando o próximo, me perguntando como será que vou me sair dessa vez pois cada módulo é uma surpresa diferente e me organizo de uma forma diferente. Eu me divirto enquanto aprendo, não é uma coisa rígida, e aos poucos vou descobrindo como eu funciono. Estudo no meu tempo, do meu jeito. Sinto que justamente pela responsabilidade que tenho com meu próprio estudo, eu aprendo mais do que a obrigação da presença todos os dias, no mesmo lugar, no mesmo horário. Saber que eu posso, que sou capaz, é o maior estímulo de todos. Da primeira vez que tentei estudar dessa maneira, quase não consegui concluir, e esse era meu maior medo, hoje, chegando ao terceiro módulo do curso, olho para trás e percebo que nem vi esses seis meses passarem de tão agregador que está sendo. Aquele antigo contato que eu tinha com os professores na época da escola, hoje é suprido pelos tutores e tutoras do polo, continuo sendo a aluna da biblioteca, mas dessa vez da biblioteca virtual e até hoje escrevo para poder me comunicar com o mundo. E como dizem, quando a coisa é boa, a gente nem vê acontecer, mas não quero perder um detalhe sequer dos próximos três anos. 

2 Comentários

  1. Li o post todo pensando "assim que terminar vou procurar faculdades com essa opção de ensino" hahahah fiquei muito interessada! Obrigada pelo post e pelas dicas de como a gente pode se organizar, acho que um post só sobre isso valeria muito a pena, viu?

    Beijos ♡
    misinwonderland.blogspot.com

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