não me pertence

Você já ficou cansado, mas tão cansado, mas tão cansado a ponto de não conseguir respirar. Esgotado, podado, sugado. Totalmente largado, sozinho, sem força alguma, mas mesmo assim se obrigou a levantar e continuar lutando mesmo com lágrimas nos olhos, mesmo com todos a sua volta te julgando. Você não tem vergonha de mostrar seus sentimentos, não mais, não quando eles são quase tudo o que você ainda consegue tocar. Você não vê onde se segurar, tudo parece fugir das suas mãos, então sua escolha é se agarrar aos sentimentos mesmo que lhe digam para ser "cabeça". Você se sente um flor morta. Quase todas as suas pétalas já caíram. Você está feio aos olhos de todos, mas o mais triste é estar feio a seus próprios olhos. Você luta para acreditar em si mesmo e fica repetindo que é possível. Vai dar certo, você acredita nisso, você luta por isso, mas seus braços estão cansados, suas pernas fraquejam, sua voz já não sai no mesmo tom, então num último sopro de vida você se arrasta como se sua vida dependesse disso, e talvez dependa. Você já não sente fome, quando sente, é fome demais. Você está cansado, mas já não consegue dormir. Quando dorme, não dorme bem. Não quer acordar. Quando acorda, não quer sair da cama. É obrigado a viver. Quando vive quer estar morto. E no fim, depois de tanta luta, tanto sangue e tando suor percebe que não precisava de tanto esforço, Era inverno. As coisas morrem. Mas voltam a surgir na outra estação. 

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