Medo do escuro. Do que tem no escuro. Sons de motocicletas, armas de fogo. Passos rápidos e medrosos. Um dia feliz. Uma noite infeliz. 11/01/2017. Onze de janeiro de 2017. Hoje eu sinto medo de andar sozinha na rua. Em qualquer horário do dia. Eu sinto medo de descer do ônibus e alguém me seguir. Medo de ser enfiada em um carro e ser levada sei lá pra onde. Medo de invadirem minha casa quando eu estiver dormindo sozinha. Eu tenho medo de ficar sozinha. Eu tenho medo. Eu tenho medo. O cobertor não é suficiente para afastar esses monstros. Não são como os monstros da infância. São piores. São seres humanos. E eu tenho medo. De homens, de mulheres, de pessoas de moto, de carro, bicicleta, até a pé. Bêbados, sóbrios. Motoristas de táxi e Uber. Às vezes eu tenho medo até do meu próprio pai. E meu coração dispara, tropeça quase para, eu poderia fazer essa piada, mas ele realmente dispara quando tenho que enfrentar sozinha uma rua escura ou uma casa vazia. Mesmo cansada permaneço alerta sem saber quando vão chegar. As pessoas em quem mais confio ou meus monstros. Ouço sons vindo de todos os lados, quando é só o vento eu respiro aliviada. Sei que no vento posso confiar. Mas tem um limite de proteção que minha confiança na lua pode me dar. Ela está lá e eu aqui. Tudo que posso fazer é levantar a cabeça e ser banhada pela luz, confiando que tudo ficará bem e que são apenas sons. E posso dormir em paz.

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