Menina bonita do batom vermelho, levanta a cabeça, sorri. Sorriso aberto.

Dia de auto-estima lá embaixo, se perguntar se deveria sair de casa, se questionar todos os motivos de estar tão pra baixo. Cadê o batom? Perdido no fundo da bolsa, um rosinha, meia boca, cor de boca. E boca lá tem cor? Passa assim mesmo, com o ônibus em movimento, finge que ele é mais alegre do que esse cinza que aparenta ser. 

Sorri por fora pra ninguém perguntar o que houve, já que nem você sabe se responder. Não houve nada, houve a vida. Tem dias que é assim mesmo, a vida acontece, e a gente tenta acontecer junto - só ficando quietinha no canto. 

Diálogos curtos. Respiração profunda. Passos lentos. Silêncio.

Ele chega pra salvar o dia. O batom vermelho, cor de sangue, cor de rosa, cor da alma. Expressa tudo o que não foi dito, tudo o que não pode ser dito, pros outros, para si. Primeiro tímido, depois exuberante, o batom vermelho tem vida própria, tem personalidade própria e fala por si só, ele grita. 

Liberdade. 

Poder.

Confiança.

Vida. 

Ele é mais que alegre. Ele é empolgante, despreocupado, quase embriagado. O batom vermelho é tudo que os outros batons não conseguem ser: ele mesmo.


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