Se pudesse voltar no tempo teria aproveitado melhor o último dia de viagem. No dia 23 fiquei num estado de nostalgia e saudade antecipada, não queria dizer adeus. Tomei o café, voltei pro quarto e fiquei encarando a ponte Hercílio Luz da janela do hotel.

Pôr-do-sol sem filtro, pois não precisa - da noite anterior a partida.

Entrei no avião rumo a São Paulo com a alma catarinense e aventureira, e com vontade de explorar as ruas em torno daqueles prédios altos - decidida em visitar SP/SP em 2018. Não deu tempo de ver garoar na Terra da Garoa, apesar de estar nublado.

Em BH eu só queria vir pra casa. No avião para Uberlândia já sentia os ares diferentes, eu estava mudada.

Minha companheira de viagem foi Virgínia Woolf com "Um teto todo seu" e quando ela diz que a mulher tem que ter seu próprio dinheiro e um teto todo seu para escrever, é verdade. Pela primeira vez, sozinha no quarto 406, do 4º andar, no Hotel Lumar, eu senti que tinha um teto todo meu. Minha liberdade, minha independência. Era como estar sozinha em casa e saber que ninguém nunca ia chegar. E isso foi muito bom.

Eu me senti dona de mim mesma pela primeira vez em 23 anos. Quero me sentir assim de novo.

Anna Vitória escreveu uma newsletter sobre se descobrir adulto da noite para o dia, e aconteceu. Com ela foi a água com gás, comigo, o brócolis que comi quando estava jantando sozinha no meu quarto de hotel em Florianópolis com vista para a ponte Hercílio Luz (polêmica entre os locais) enquanto assistia Jornal Nacional (ou novela, não vou lembrar exatamente).

E, cara, como é bom ser adulto.

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