Eu deveria estar desfazendo as malas depois de um natal meio desagradável. Deveria dormir porque estou extremamente cansada. Mas estou aqui escrevendo, depois de uma semana. Não sei direito sobre o que, só não quero encerrar o ano sem algumas palavras antes. É difícil voltar no tempo e dizer as coisas que aconteceram sem tocar em antigas feridas, mas a verdade é que talvez essas feridas não tenham que ser exatamente esquecidas, e sim arquivadas. 

Posso dizer que passei os primeiros seis meses do ano presa dentro de um casulo, então quando eu tentava sair, algo acontecia, eu era esfolada, parecia que o casulo me sufocava e queimava quando eu tentava lhe rasgar. Aos poucos, depois da minha virada pessoal principalmente, eu fui conseguindo rasgar aquela pele podre, e apesar do tumulto, sobrevivi. Fui do céu ao inferno e Florianópolis foi meu céu. Estaria mentindo se dissesse que não tive nenhuma crise depois de setembro, claro que tive, a diferença foi a forma como eu encarei, e sinceramente, continuo encarando todos os dias as coisas que machucam e incomodam, mas aprendi a levantar minha armadura quando necessário, e no resto do tempo, ando livremente com meus trapos. 

Nem todo dia é bom, é verdade, tenho que me forçar a ver as coisas boas todos os dias. Nem sempre é fácil, mas sempre vale a pena. Queria dizer que gostaria de esquecer o primeiro semestre de 2017, mas não posso, sem ele não haveria tatuagem, Sêneca, férias ou qualquer outra coisa que me deu um pouquinho de racionalidade naqueles tempos. É verdade, aquele semestre foi um borrão, das poucas coisas que me lembro com clareza são memórias mistas entre alegria e tristeza, alegria e raiva, raiva e tristeza - a pior. Mas não posso simplesmente deletar tudo o que aconteceu, afinal cada coisa me fez evoluir de uma forma diferente. 

Mas como eu disse, é hora de deixar tudo isso para trás, a raiva, a tristeza, o rancor... levar para o próximo ano apenas as coisas que agregaram a partir dessas experiências e respirar fundo, pois tem muito mais vindo por aí. Eu vivi muita coisa nos primeiros oito meses de 2017, passei por todas as fases de uma vez só, e talvez fosse melhor ter feito diferente, aos poucos, mas talvez eu não me tornasse quem sou se fosse diferente, e sinceramente, gosto de quem estou sendo agora, mesmo sabendo que amanhã essa pessoa pode ser totalmente diferente. 

Faltam cinco dias para a virada, usei esse trecho de How I Met Your Mother no primeiro texto de 2017 e repito. A diferença é que em 2016 eu estava apenas exausta, hoje eu estou exausta e grata.


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