"Lua nossa" - 24/05/2016

Parece que tirei abril para ficar em silêncio.

E ficar em silêncio é mais duro que escrever qualquer coisa.

No calendário hoje é dia de lua nova. Isso quer dizer muitas coisas. Nos poucos segundos que me distraí achando que hoje era lua cheia, me perdi. Hoje era o dia que eu ia sair para fotografar, mas acordei sem vontade alguma de fazer isso e depois, mesmo que eu quisesse, choveu a tarde toda. Me agarro à espiritualidade para não achar que estou louca.

Não estou.

Às vezes parece.

A melancolia começa a me dominar e escrevo a fim de lutar contra ela. Me distraio com tudo ou finjo me distrair pois preciso acreditar em mim mesma que não estou sendo tomada pela dor. Escrever minhas histórias não é um jeito de fugir, é uma maneira de permanecer sana no meio de um dia tão vazio, e ocioso.

Uma foto tirada pós-surto, pré carta para eu mesma no ano que vem, dois anos atrás, outras dores, hoje, novas questões, uma pessoa bem diferente, mas que ainda olha pra lua com a mesma cara. Pena hoje ser lua nova. Não tem lua.

Minha maior vontade é chorar e depois não me sentir ridícula por isso. Chorar sem ninguém para perguntar o que houve. Só quero chorar, para limpar a tubulação aqui dentro e regar as flores aqui fora, mas mais uma vez não me permito chorar.

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