"Lua nossa" - 24/05/2016

Parece que tirei abril para ficar em silêncio.

E ficar em silêncio é mais duro que escrever qualquer coisa.

No calendário hoje é dia de lua nova. Isso quer dizer muitas coisas. Nos poucos segundos que me distraí achando que hoje era lua cheia, me perdi. Hoje era o dia que eu ia sair para fotografar, mas acordei sem vontade alguma de fazer isso e depois, mesmo que eu quisesse, choveu a tarde toda. Me agarro à espiritualidade para não achar que estou louca.

Não estou.

Às vezes parece.

A melancolia começa a me dominar e escrevo a fim de lutar contra ela. Me distraio com tudo ou finjo me distrair pois preciso acreditar em mim mesma que não estou sendo tomada pela dor. Escrever minhas histórias não é um jeito de fugir, é uma maneira de permanecer sana no meio de um dia tão vazio, e ocioso.

Uma foto tirada pós-surto, pré carta para eu mesma no ano que vem, dois anos atrás, outras dores, hoje, novas questões, uma pessoa bem diferente, mas que ainda olha pra lua com a mesma cara. Pena hoje ser lua nova. Não tem lua.

Minha maior vontade é chorar e depois não me sentir ridícula por isso. Chorar sem ninguém para perguntar o que houve. Só quero chorar, para limpar a tubulação aqui dentro e regar as flores aqui fora, mas mais uma vez não me permito chorar.

Eu não tenho um motivo para não ter escrito durante o mês de março. 

Não foi porque vai ter BEDA esse mês (não vai), não foi por motivo algum, só um conjunto de desventuras e acumulo de vida fora da internet. Olha só, fiz estágio durante todo o mês de março, foi correria, queria ter compartilhado em tempo real. Mais uma vez me reconecto com a fotografia, dessa vez com os pés no chão e menos fantasia, menos afobação. Terapia. Perdi uma tia. É difícil falar sobre isso. 

Além dessa vida de estagiária de Licenciatura que estou amando, bem no fim de março/hoje 1º de abril comecei a trabalhar em alguns projetos relacionados à minha vida na internet. Foi um mês muito cheio e muito cheio de nada ao mesmo tempo. Pessoas (são pessoas) indo e vindo. A vida no emprego anda uma lástima, mas é aquilo de tentar ver o copo meio cheio. 

Pessoas são pessoas e às vezes eu só queria poder evitá-las e eu acho que é por isso que gosto tanto de escrever: meus personagens eu posso controlar (nem sempre).

Todas as minhas fotos de perfil são ilustrações que encontrei no deviantArt porque meu único desejo é sumir do mundo real por enquanto, e sorte que o blog apesar de ser um reflexo da vida, não é ela toda, são só fragmentos os quais eu mesma escolho jogar por aqui. 

Sábado à noite e eu me maquiando para tomar banho. O making-of da última postagem no Instagram... um reencontro com a Eu maquiada, meio que versão remasterizada da adolescência... Esse é o conto de fadas, a vida real sou eu criando coragem de pisar no cemitério e inconscientemente pensando na roupa que vou usar e me sentindo culpada sobre isso, e escrevendo sobre isso. E usando os sapatos e me sentindo culpada por achar tão confortáveis. A vida real é feia de vez em quando. A vida real é o caos de sábado que larguei na penteadeira. E já segunda-feira de novo. E eu vou fingir que isso saiu antes da meia-noite. 

Essa é a vida real.  

que abril seja top

Um grande compilado com meus textos favoritos dos últimos quatro anos - fora de ordem, nem um pouco organizado bonitinho, 100% diarinho:



tiny little adventurous

"Quando eu era criança o que eu mais gostava de fazer era sentar na porta da sala e observar os pássaros. Os pássaros sempre foram seres incríveis para mim. E uma vez cogitei ser um pássaro. Pássaros são livres, pássaros voam. Dentro de nós, pacientemente esperando, há um pequeno pássaro aventureiro. Esperando que finalmente possamos abrir nossas asas sem medo e encarar nossos sonhos infantis como mais que apenas sonhos. Sonhar é grande demais para uma garotinha de oito anos. O que quero dizer é que, mesmo sem querer, a infância molda quem vamos ser como adultos e minha criança interior sente falta de apenas sentar e observar os pássaros. Se posso mandar um recado para a Eu de qualquer época, se tudo estiver complicado demais menina, sente na porta da sala, na varanda ou seja lá onde você está e observe os pássaros, eles lhe mostrarão o que está faltando. Pouco a pouco vou abrindo minhas asas e aprender a voar é um exercício maravilhoso, e depois que você aprende, ah, não tem mais volta."

more tiny little adventures



ensee

Eu tenho um portfólio com fotos que fiz há um tempo.

Por meia hora eu quase entrei numa crise existencial de que eu não pertencia a esse grupo de pessoas que pendura uma câmera no pescoço e sai por aí clicando. Por meia hora eu achei que eu era o primo com a câmera. 

Mas por que?

Um mês depois, eu acho que tenho a resposta. Desde o começo eu sempre amei (muito) o fotojornalismo, mas não aquelas notícias de guerra ou perseguições da polícia. Eu sempre amei a parte histórica das coisas e as pessoas da história. O movimento hippie dos anos 60 por exemplo. Gente alternativa, gente autêntica que não liga para a opinião da sociedade sobre o que veste, como se porta, independente da cor do cabelo, são só elas mesmas, e era disso que eu sentia falta ao fotografar. Fotografar, no geral, para mim, é sempre maravilhoso, mas eu sentia falta de estar fazendo história. Mostrar que essas pessoas existem, fora do padrão estético.

São essas mesmas pessoas, normalmente, que odeiam ser fotografadas e não quero forçar a barra, então eu só sento e aguardo... e às vezes crio coragem e mando uma mensagem no Instagram.

Mas já que estamos aqui...

Se houver alguma pessoa alternativa de Uberlândia e região por aqui me lendo (Araguari por enquanto pois o orçamento aqui é curto), quero recomeçar meu portfólio e adoraria te fotografar, se tiver interesse manda um e-mail para foto.ludimila@gmail.com e vamos conversando!

O Together desse mês foi para fazermos uma OST para um filme bem sessão da tarde, mas como eu não sei ser fofa quando vou escrever histórias, sejam roteiros ou textões, a minha acabou inclinada para um relacionamento abusivo. 




Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva de fevereiro do Together, um projeto para unir a blogosfera! Para saber mais, clique aqui!





Primeiramente: qual o nome do filme?
Eu sei de cor - Marília Mendonça

Nossa protagonista acabou de sair de um relacionamento meio bosta, onde ela mesma deu o pé na bunda do cara e decidiu não se envolver com mais ninguém por um tempo...

1. Créditos iniciais do filme
Potion Approaching - Arctic Monkeys

Decidida a mudar de ares comprou uma passagem para um cruzeiro que saía do litoral de sua cidade até a parte baixa do país. No meio do caminho o navio sofre problemas técnicos e obrigado a ancorar antes da hora. Entediada e caminhando pelos arredores do navio ela esbarra com um dos mecânicos e ambos sentem uma rejeição e aproximação imediata. Seguindo sua intuição, ela deixa pra lá e se afasta. Ao mesmo tempo uma tempestade parece estar se aproximando, o vento tão forte transfora as nuvens em espirais, parecendo um daqueles caldeirões onde as bruxas fazem poções. O que nossa protagonista não sabia é que o Mecânico era meio psicopata, e começou a persegui-la de forma sutil devido a seu interesse repentino, a fim de arrumar um encontro com a mocinha...

2. O casal principal se encontra pela primeira vez
Over the rainbow - Celtic Woman

A tempestade começa mais forte que o esperado e a mocinha se esconde numa cabana no meio da estrada, o Mecânico que a estava seguindo faz o mesmo. Ela se assusta e o deixa entrar devido aos raios e trovões. Eles conversam e se conhecem até a chuva parar e um lindo arco-íris aparecer no céu. Nossa mocinha ignora o fato de ser perseguida e ali eles dão seu primeiro beijo...

3. Começa a rivalidade entre o casal
Meu cupido é gari - Marília Mendonça

Sozinha de volta em seu quarto no navio ela percebe a merda que fez deixando aquele homem aleatório entrar na cabana e ainda se entregando à ele, poderia ser um psicopata, assassino, estuprador, qualquer coisa!...

4. A protagonista conversa com um amigo e fica pensativa...
The Blessing - Celtic Woman

A protagonista abre uma conversa no Skype com um amigo de infância abençoado que lhe dá bons conselhos... 

- Você só se conheceram em circunstâncias estranhas, às vezes o destino tem dessas.

5. A protagonista percebe estar apaixonada
Singin' in the rain (do filme "Cantando na chuva")

A protagonista começa a cantarolar músicas românticas, veste sua capa de chuva e galochas e vai pular pelas poças ao redor do navio, ela está apaixonada... o Mecânico que, como sempre está nas redondezas, vê e se sente estasiado com tanta alegria, ele a convida para o primeiro encontro...

6. O primeiro encontro oficial do casal
Fracasso - Pitty

Que é um fracasso, pois resolveram se encontrar logo no pub do navio e nenhum dos dois se dava tão bem com álcool...

7. E logo depois, a primeira briga
7/11 - Beyoncé

Com álcool no sangue eles começaram a discutir coisas banais, ele a chamou por nomes impronunciáveis e ela jogou sua bebida nele, gritaria, e quando ele levantou a mão para ela foi o fim da picada, ela voltou para o quarto chorando...

8. O momento bad vibes da protagonista
505 - Arctic Monkeys

Ela volta pro quarto 505 e não sabe dizer se ficou 7 horas ou 45 minutos chorando com o rosto enfiado no travesseiro e quando começa a se recompor ela revive os momentos bons que passaram juntos em sua mente. Ela ainda gostava das mãos do Mecânico em volta de seu pescoço e há muito tempo não se sentia dessa forma. 

9. O mocinho percebe que não pode perder a protagonista
Sorry - Justin Bieber

Enquanto a mocinha chorava e pensava, o mocinho ponderava se deveria pedir desculpas. E ao mesmo tempo imaginava o que ela poderia estar fazendo no quarto. Ele era orgulhoso demais para pedir desculpas, mas por ela, ele tinha que tentar. Ele mandou uma mensagem no WhatsApp para ela dizendo que "merecia uma chance de ser perdoado, deixe eu me redimir essa noite. É tarde demais para pedir desculpa? Eu sinto falta mais do que só do seu corpo... eu sei que te decepcionei, mas é tarde demais? Eu assumo a culpa se quiser, mas não tem inocentes aqui. Podemos esquecer isso e recomeçar? Desculpe.".

Eram muitas perguntas e cansada daquilo e da ressaca ela deu o número do quarto e ele subiu...

10. E vai atrás dela!
Maniac (do filme "Flashdance")

Antes ela só era uma garota do interior querendo viver uma aventura e esquecer o ex, conhecer gente nova, e estava agora, num cruzeiro, sábado à noite, se reconciliando com um Mecânico de Navio que conheceu há três dias... sentia estar dançando entre explosivos, mas gostava disso. Os dois eram maníacos na pista de dança do amor e dançavam como nunca tinham dançado antes. A discussão ficava quente e esfriava, ele era agressivo, mas ela estava cega de amor...

11. Eles ficam juntos e vivem felizes para sempre~
How to be a heartbreaker - Marina & the diamonds

No meio de uma gritaria os dois se unem num beijo, ela só conseguia pensar agora no que suas amigas falavam: "você tem que se divertir, mas quando acabar, seja a primeira a fugir, você não pode se apegar tão rápido, vem fácil, vai fácil", e ela se entregou...

12. Créditos finais do filme
E aí bebê - Kaya Conky

(um gif vale mais que mil palavras)

***

Infelizmente, nunca sabemos quando estamos em um relacionamento abusivo...

Playlist: