Dezembro é um mês baseado em fingir. 

Fingir que eu vou fazer blogmas (dessa vez nem prometi), fingir que vou ter vida social quando na verdade estou é morta, e com trabalho da facul acumulado, fingir que não estou doente e querer sair mesmo assim, fingir que é só calor e não febre, e fingir que vou checar isso. 
-clique na imagem para ver meu fingimento em tamanho real-

Sigo fingindo.

Mas a verdade é que tudo que eu tinha pra fazer, se não fiz até o dia 30 de novembro, meus queridos, fica pro próximo ano. Em dezembro eu só quero comer até sair rolando enrolada em um pisca enquanto coloco presentes debaixo da árvore de natal e abro presentes e me dou presentes - afinal amor próprio é tudo. 

Nesse dezembro inventei de testar unhas postiças e são lindas mas horríveis para digitar, por exemplo. Escritores e unhas grandes combinam? Me respondam aí gente que escreve. Em dezembro também fui no médico e peguei um dia inteiro de atestado, foi maravilhoso - só a parte do atestado, comprei uma taça (sim! uma taça!) por menos de 4 golpes e uma bolsa de carregar compras ecologicamente correta (acredito) com desenho de raposa. Você se lembra de quando a mascote do blog era uma raposa? Ainda amo raposas. 

Eu poderia ser blogayrinha e estar mostrando as coisas aqui, mas fiquem com sua imaginação pois a sinusite não permite. 

Todos os projetos foram adiados para o dia 2 de janeiro e até lá, sigo pensando na ceia e em por que me sinto comemorando um Yule fora de época.

No momento divida entre a roupa do natal, ano novo, e sofrendo antecipadamente pelos 24 anos que se aproximam a galope.

Boa noite.

Ou: resumo do mês

Esse foi o mês em que eu provavelmente mais escrevi diários aqui no blog, e infelizmente não saí de casa por motivos de força maior. Interagi com seres humanos desconhecidos, e percebo a preguiça que tenho sentido de conhecer novas pessoas. Li dois livros e meio, sem vergonha de dizer que adoro Paulo Coelho. Tenho alguns projetos em mente os quais pretendo dar vida em dezembro. Já tenho meu Natal planejado, a roupa do Ano Novo escolhida -- verde para derrotar os hunos, voltei a me conectar com minha espiritualidade -- percebe que ela fica aflorada em épocas específicas do ano, e deus, estou extremamente cansada. Cansada, humilhada, porém feliz e exaltada. Os humilhados foram exaltados esse ano. "Happy, free, confused and lonely at the same time", no maior estilo Taylor Swift. Aproveitei a black fraude pra comprar um PC novo e os posts com imagens voltarão.

Todo resumo de novembro é quase uma retrospectiva do ano, dezembro é aquela festa constante, todo mundo Pollyanna, novembro, aquela quinta-feira às 21:00 quando você conta os minutos para ir embora, até que enfim o décimo terceiro caiu, e acabou.

Fotos? Em novembro só postei uma selfie de peruca. Todos os planos foram adiados porque achei que o 13º ia cair no dia 20, mas caiu hoje. Esse mês eu só existi. Li Clarice para o clube do livro que dessa vez não consegui ir pois o trabalho não deixou, fiz um milhão de pesquisas sobre a cultura irlandesa e os Celtas e estou fascinada, estou lendo Paulo Coelho de novo e nem pode ser chamado de guilty pleasure, gosto mesmo. Não terminei Bliss, saudades feriados. 

As aulas de Artes de Verdade™ começaram e eu tô animada pra caramba, tô amando, apesar da trabalheira. Talvez eu poste as atividades por aqui? Bem provável que sim. 

Saudades sair pra clicar. 

Novembro pode ser resumido é ócio, raiva, ranço, Tinder, literatura que faz pensar e Outlander. E esperança de dias melhores. 

Pra dezembro, descanso.

– Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranquilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Clarice Lispector

Entrei num ciclo vicioso onde todos os meus escritos se tornaram textos sobre fuga com uma pitada de ódio e rancor. Às vezes ranço. Acredito que pelo fato de ser isso o que está me cercando todos os dias. Pessoas falando mal uma das outras, eu entro na roda sem nem perceber, às vezes entro de propósito só pra cutucar aquela pessoa que não gosto. Meu coração diz que é errado, mas continuo lá, falando sempre as mesmas coisas. Uma coisa meio Cady de "Mean Girls": "eu estava obcecada. passava 80% do meu tempo falando sobre e nos outros 20% torcia pra que alguém falasse, pra eu poder falar mais um pouco".

E não é como se eu realmente quisesse fugir, às vezes eu quero mesmo sair correndo e gritando com os braços pro alto, mas isso nos 10% do tempo, nos outros eu quero a versão metafórica de fugir. Mudar. De rotina, de vida. Os dois dias de folga são o ponto alto da semana, a vontade é que o domingo dure para sempre, um feriado é uma glória e assim por diante, mas nem sempre temos um feriado para emendar no domingo, um feriado aleatório no meio da semana, às vezes o domingo passa voando. Passei a ler aos domingos tanto o cansaço da internet, do computador, das luzes artificiais. 

Aí você pode dizer, o problema dela é o emprego, o ônibus lotado, os uberlandenses. Não, não e apesar dos pesares, também não. Meu problema são as pessoas. E eu sei que em todos os lugares terão pessoas como essas, pessoas que vão fazer coisas como essas, mas essas pessoas em específico, eu simplesmente não quero mais na vida. Não quero dividir o mesmo ar com elas. Não quero ser obrigada a estar perto delas. E pode ser que daqui 10 anos algumas acabem retornando para a minha vida em outras circunstâncias, mas até lá eu já serei outra pessoa, fazendo outras coisas, um pessoa genuinamente feliz, pois essa (s) pessoa não estará na minha vida, ela estará de passagem, e apesar do passado, ele foi deixado para trás.

Então os textos sobre fuga continuam. Às vezes o texto é a própria fuga. E se tudo der certo o cenário dessa peça vai mudar muito em breve e teremos uma revira volta no roteiro.

Cidade industrial. Onde metade da população anda uniformizada. Robozinhos. Não sabem interagir entre si, não são pessoas, são empresas, inseridas em cada cabecinha de vento. E ninguém quer mudar, ninguém tem vontade de mudar.

Eu não quero ser mais um, eu não sou mais um. 

Uniformizados. Desalmados. Não são capazes de olhar pro lado. Robôs controlados. Preciso respirar, eu não sou um deles. Não sentem o vento na pele, são feitos de aço, não veem os pássaros, veem o que são programados para ver.

Espero chuva para que fiquem enferrujados. 

Quem eu quero enganar, não consigo fugir, eu também sou um robô, mas eu escolhi sorrir.